Mesmo no momento em que o Brasil está prestes a se tornar auto-suficiente em produção de petróleo, e novos investimentos são feitos no setor, não pode ser desprezada a recorrência paralela à pesquisa com energias renováveis. Há uma corrente mundial nesse sentido, capitaneada pelos ambientalistas. No Brasil, um grande batalhador por essa causa é José Walter Bautista Vidal, físico e engenheiro, que acaba de conceder entrevista sobre o assunto à repórter deste Jornal, Erika Zanon. Foi ele o idealizador do Programa Nacional do Álcool, o Proálcool, que despontou vitorioso, mas por razões óbvias teve as torneiras fechadas logo após, e que agora se reabrem. As energias alternativas, hoje, são insuficientes para as necessidades do consumo, mas é preciso repensar que o petróleo é finito e que as represas para mover usinas elétricas têm esbarrado nas muralhas de defesa da biodiversidade e invadido terras agricultáveis. Bautista Vidal alerta que o Paraná já sofreu muito com isso. Indiscutivelmente, a era do petróleo marcha para o fim e há acenos cada mais mais evidentes tanto para a geração de combustível, como para a eletricidade de aproveitamento mais intensivo das energias que podem ser renovadas e não causam dano ambiental. Como o álcool, o biodiesel, os ventos, a luz solar, ainda de baixa exploração e insuficientes para a demanda. Vidal aponta sobretudo para as florestas cultiváveis como fonte futura de energia por combustão. Soa impactante pensar-se em queimar madeira, mas esse defensor das energias alternativas tem argumentado que a racionalidade do plantio e do consumo de florestas o permitirá, porque estas podem ocupar espaços acidentados e inadequados para o cultivo agrícola, e o Brasil tem vasto território e baixa população. É certo que uma outra poderosa matriz energética, a nuclear já utilizada no Brasil oferece riscos sem conta, porque as usinas atômicas são um perigo permanente. Não se irá parar a produção de petróleo, ademais porque chega-se no Brasil a uma grande escalada no setor e ainda há muita reserva por explorar, mas é preciso adiantar-se e investir em projetos para aumentar o uso de outras energias, até como medida de economia para o consumidor, porque nem a auto-suficiência em petróleo e nem a nova arrancada do álcool baratearam o preço desses combustíveis. Ter petróleo abundante a preço proibitivo é um contra-senso. Vidal Bautista afirma que o Brasil será a grande potência energética do futuro, no mundo, pelas razões apontadas, destacadamente por via das florestas cultivadas. Investir em contínuas pesquisas por fontes energéticas renováveis é uma prudente e providencial precaução.

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