Uma vacina 100 por cento nacional contra a Covid-19 é a notícia que nos atinge como um bálsamo, um rajada de esperança em uma semana com recordes trágicos de mortes devido a complicações do coronavírus.

Nesta sexta-feira, o Instituto Butantan, ligado ao governo do estado de São Paulo, anunciou que desenvolve uma vacina contra o Sars-CoV-2. O Butanvac, como o imunizante foi batizado, já teria passado pelas fases pré-clinicas de testes (em células de laboratório e em animais) com bons resultados, segundo o instituto. Agora, a organização deve pedir à Anvisa a autorização para iniciar os testes clínicos em humanos.

Ainda há poucos detalhes sobre o processo de desenvolvimento da substância que teve a pesquisa para produção iniciada quando a pandemia havia acabado de ser anunciada no Brasil, em março de 2020.

Dimas Covas, diretor do Butantan, afirmou que a ideia é realizar testes clínicos com seres humanos em apenas três meses e, tudo saindo como o esperado, disponibilizar 40 milhões de doses a partir de julho. A capacidade de produção pode chegar a 100 milhões por ano.

Segundo Dimas Covas, a vacina será fabricada dentro de ovos de galinha, da mesma forma como o instituto já produz atualmente os imunizantes contra a gripe. O processo deve envolver milhões de ovos embrionados (com embriões ainda vivos) que vão receber outro vírus, inofensivo para os humanos, carregando a informação genética do Sars-CoV-2. O resultado será uma vacina inativada, feita com fragmentos de vírus mortos. As doses que devem ser usadas nos testes, caso sejam permitidos pela Anvisa, já estão prontas, garantiu o instituto.

Há pelo menos outras 16 vacinas contra a Covid-19 ainda em fases pré-clínicas de estudo sendo desenvolvidas no Brasil. O país tem know-how reconhecido para produção de vacinas e poderia ter desenvolvido um imunizante mais cedo se não fosse o entrave da falta de financiamento em ciência. Butantan e Manguinhos têm equipe técnica de primeira grandeza.

É mais uma lição que devemos aprender com a pandemia da Covid-19: investir em ciência é também garantir a segurança nacional e a autonomia que o país precisa para vencer a crise sanitária.

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