É interessante notar as táticas governamentais para isentar-se de responsabilidades que até então lhes era facultada. O País está caminhando aos trancos e barrancos e quem começa a sentir mais o peso das irresponsabilidades governamentais é o ‘‘zé-povinho’’. No caso do Paraná, e Curitiba especificamente, a geada afetou todos os gêneros alimentícios dos supermercados. Até parece que nenhum deles estava coberto durante o inverno. O povo já não vive lá nas melhores condições e, apesar disso, começa a passar fome, tamanhos os aumentos que começam a ocorrer nos produtos referente, à cesta básica.
E como se não bastasse tudo isso, o governo faz a maior propaganda, e se não faz, permite que façam, de uma empresa que ‘‘está crescendo’’ e que necessita de nossos investimentos. Até aí tudo bem. Mas querer fazer negócio com o nosso FGTS é muita agressão.
Primeiro porque se fosse, de fato, uma empresa que estivesse crescendo, não precisaríamos investir nela, pois os grandes donos do capital aqui ou fora o fariam com prazer; em segundo lugar, se estivesse crescendo de verdade, não precisaria apelar para o pequeno investidor, e se o faz é porque os grandes investidores não vêem nela nenhum retorno. Em terceiro, com a cara mais deslavada pede-nos para trocar uma garantia por um contrato de risco e em quarto todos os bancos tornam-se amigáveis por passar a mão no fundo de garantia do Zé-povinho e fazer as transações recolhendo taxas e mais taxas. Se o nome já diz ‘‘garantia’’ temos que admitir que, de fato, para o trabalhador, é a única garantia.
Uma vez nos passaram a mão na poupança e agora fazem, a meu ver, propaganda enganosa de uma empresa que dá mais indícios de prejuízo do que de lucro. Ou que tal oferecer-nos ações da Coca-cola, da Souza Cruz? Ao menos o Zé-povinho suga o próprio sangue sem ser vítima de morcegos externos, sem escrúpulos nenhum.
Toda essa situação caótica, na realidade, quer, no futuro, jogar a culpa nos brasileiros por mais uma incompetência administrativa. Não demorará muito e a privatização da Petrobrás será anunciada e quem serão os culpados pela privatização? O povo que não acreditou na empresa nacional, dirá o governo, dirão os políticos!
Que vergonha! Que pobreza! Que jogo baixo! Uma empresa que está demonstrando, aos poucos, dificuldades administrativas, através de acontecimentos irreparáveis, como o vazamento na Baía de Guanabara, o último na região de Araucária nos provam que algo está errado. Sem contar os vazamentos em alto mar que não causam danos aparentes à população. Espero que o Zé-povinho esteja acordado e não tenha cometido a besteira de comprometer o dinheirinho seguro do FGTS. Pois deve ficar sabendo que seu dinheiro vale muito mais que qualquer incompetência administrativa. Não abra mão de um dos únicos direitos que lhe asseguramem caso de demissão, a sobrevivência por mais alguns meses.
PAULO SÉRGIO DE FARIA é professor em Curitiba

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