Investindo em produtos ecologicamente corretos
Se existem pessoas e empresas no Brasil que falsificam e adulteram produtos, se outras abusam nos preços e nos juros e se é ainda grande a predação ambiental, vai se plasmando nesse meio também um novo padrão de consciência e - verdade se diga - de conveniência, no sentido de produzir mercadorias ecologicamente corretas. Mesclando mentalidades mais responsáveis com exigências da freguesia - destacadamente o mercado externo - muitas indústrias brasileiras estão investindo em melhor qualidade de produtos e serviços e em produzi-los com preocupação ambiental.
O Paraná - depois de São Paulo - é o segundo produtor nacional de embalagens oxibiodegradáveis, que se deterioram no prazo médio de um ano, contra quatrocentos anos dos plásticos tradicionais. Reportagem da jornalista Gisele Mendonça de domingo, nesta FOLHA, mostra avanços nesse setor em indústrias paranaenses, e tudo indica que esses novos sistemas chegam para ficar.
Porque as mentes evoluem, embora ainda timidamente, e compradores exigentes irão redirecionando conceitos e os rumos da produção. Esta é uma tendência mundial, com certeza, sem retrocesso. Também é verdade que espertezas se refinam e já existem cópias falsificadas de melhor qualidade. Mas importa que uma maior consciência ecológica vai se instalando, e também a imposição gradativa do consumidor resulta em melhor qualidade de muitos produtos. A utilização de material reciclado vem igualmente se expandindo, porque se trata de matéria-prima mais barata. Como diz a reportagem - que também expõe vários depoimentos - ''mais do que nunca as pessoas precisam se conscientizar da necessidade de gerar menos lixo, de separá-lo e reciclá-lo''. É certo que ainda escasseia a mentalidade do consumo consciente, que remete para a mudança de comportamento do consumidor. Mas percebe-se que muitos movimentos partindo dos cidadãos já fazem cerco cerrado contra muitas coisas inconvenientes. Por exemplo o fumo em ambiente fechado. Isto em meio a opiniões contrárias, inclusive de meios acadêmicos, defendendo o direito dos viciados de espargir fumaça venenosa e mau cheiro onde quiserem, desprezando o direito (mais razoável e prevalecente) dos que não querem ser molestados.
Mais que tudo é preciso pensar na sustentabilidade dos humanos e da biodiversidade animal e vegetal e do meio ambiente como um todo, e é alentador perceber-se que já existem os selos ambientais, grande número de instituições fiscalizadoras e denunciadoras, leis mais rígidas, boas práticas já em plena execução e um aclaramento da consciência coletiva quanto ao zelo desta morada terrena onde todos habitam.





