Sobre o artigo "Ladrões de seu dinheiro", do sempre festejado economista José Pio Martins (Espaço Aberto, 10-11/12), em que retrata a inflação como causa do empobrecimento das camadas menos favorecidas, a razão efetivamente lhe assiste, porém, com ressalvas. A mídia promovida pelo governo e instituições financeiras sempre fez acreditar que os rendimentos da poupança representassem algum lucro, muito embora seja óbvio que apenas mantêm o valor da moeda corroído pela inflação.

Para que o patrimônio evolua, é necessário que se economize, isto é, que as despesas sejam efetivamente menores que a receita. Importante ainda é que se faça opção por investimentos em ativos próprios, a exemplo de carros simples, imóveis, etc., evitando o ativo impróprio: carros de luxo, casas cinematográficas, lanchas, etc., que depreciam rapidamente e, ainda, aumentam as despesas mensalmente, exceto se tiver como profissão a de "herdeiro".

O governo utiliza-se da mídia como forma de convencer os incautos de alguns benefícios ao dar grande publicidade relacionada à redução de 0,02 centavos no preço da gasolina, deixando de informar que, para economizar R$ 2, seria necessário adquirir 100 litros. Daí que, decorridos alguns dias e com a utilização desse subterfúgio, o preço da mesma gasolina acaba aumentando R$ 0,12, sem que haja algum estardalhaço na mídia, como se todos fossem idiotas. Será que nossos governantes não sabem que nos Estados Unidos o litro de gasolina custa atualmente US$ 2 dólares o galão de 3.78 litros! Ou seja, R$ 1,85 o litro de uma gasolina muito superior a nossa!

A mídia atualmente tem divulgado os péssimos serviços prestados pelas nossas instituições públicas. A falta de governabilidade e o descompromisso de nossos políticos com o bem comum têm permitido que os bandidos utilizem armas, inclusive de grosso calibre, enquanto a população acuada em suas residências está proibida de portar armas. Sem condições financeiras e econômicas, será que a sociedade não poderá retroagir no tempo e passar a "fazer justiça com as próprias mãos" como forma de se defender das milícias e bandidos?

Ainda, não se pode esquecer o estouro da bolha imobiliária americana em 2008 e suas consequências, enquanto em nosso país a bolha apenas "furou", e, como "sedada" por interesses dos empresários, a mídia evita comentar as consequências avassaladoras que advirão nos próximos anos. O preço dos imóveis continua a "derreter" e, com certeza, se constituirá em um novo fator para o empobrecimento da classe média e dos menos favorecidos. Enquanto isso, os políticos se preocupam muito mais em promover "negociatas" de verbas públicas do que com os interesses urgentes da comunidade.

Para não permitir que o processo inflacionário dilua economias, é preciso uma mudança de atitude, como parar de "rasgar" dinheiro com os "investimentos" em ativos impróprios, não permitindo que a vaidade, a ganância e a ostentação determinem o destino de seu dinheiro.

"Viver bem" não é sinônimo de gastança, mas a busca contínua de condutas pessoais que visem harmonizar o convívio com nossos semelhantes, evitando que notícias "plantadas" por aqueles que seriam os próprios beneficiários possam corromper nossas economias.

O homem, com toda a sua soberba, acredita que conhece a idade e a origem do Universo, mas mesmo tendo em mãos todo o material disponível sobre a vida não tem a mínima ideia ou conhecimento sobre a sua origem (da vida); sequer é capaz de produzir a sementinha de uma erva daninha ou mesmo combater os organismos vivos mais simples do planeta. Assim, como acreditar que conhece a origem e a idade do Universo? Será que devemos acreditar na receita dos consultores sobre investimentos como forma de aumentar nosso patrimônio? Não sereia melhor administrar nossos próprios desejos e diminuir nossas despesas supérfluas?

ANTONIO CARLOS CANTONI é advogado em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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