Investimentos em segurança pública
Ranking de investimentos em segurança pública, divulgado nessa semana, mostra que o aporte de recursos para a área está aquém das necessidades da população. Levantamento da Ong Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Paraná aplicou no ano passado apenas 6,5% do orçamento no setor, ficando na frente apenas do Distrito Federal (2,3%), Piauí (4,1%), Rio Grande do Sul (5,2%), Roraima (5,9%), Ceará (5,8%) e Espírito Santo (6,4%). O índice é praticamente o mesmo desde 2006, quando foi destinado 6,7% da receita para a segurança pública.
Apesar do percentual, os recursos aplicados no setor têm aumentado. Para 2012 estão projetados investimentos de R$ 1,75 bilhão. Em 2011 foram 1,6 bilhão e, em 2011, R$ 1,4 bilhão. Para o próximo ano, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública informa que estão lançados investimentos de R$ 2,4 bilhões. O aumento dos recursos aplicados são importantes, diante da escalada da violência enfrentada em municípios do interior, como Londrina, onde tem crescido a ocorrência de homicídios, por exemplo. A consequência é a sensação de insegurança entre a população.
Além do baixo orçamento estadual, o mesmo ocorreu a nível federal. O levantamento aponta para um recuo nos investimentos do governo desde 2003. Em 2011, a União destinou R$ 5,75 bilhões para a área, 21% a menos que no ano anterior. No entanto, além de aumentar a verba, o importante é que os recursos sejam bem aplicados, o que nem sempre ocorre. Como a responsabilidade pela segurança é dos Estados, seria importante que o orçamento federal fosse destinado a programas de treinamento de pessoal, além do desenvolvimento de projetos específicos levantados de acordo com cada necessidade regional, que são muito diferentes.
Outro dado que aponta para a necessidade de se aumentar os recursos é que o Brasil detém a terceira maior taxa de homicídios na América do Sul. São 22,7 casos para cada 100 mil habitantes. Esse número só é menor do que o registrado na Venezuela (49) e Colômbia (33,4). As informações são do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime e são referentes a 2009. Em números absolutos o Brasil está a frente no ranking, com 43.909 homicídios.
Embora atrasadas, a divulgação de estatísticas são importantes porque evidenciam um determinado tema, permitindo a reflexão e a discussão. Nesse caso especificamente é imperativo que a segurança pública seja pensada com seriedade e conte com o envolvimento de diversos setores da sociedade, até para minimizar de fato o problema.





