Afirmar que a infraestrutura brasileira é deficitária já não é mais novidade para ninguém. Rodovias em péssimo estado de conservação, portos e aeroportos sucateados, poucas ferrovias e hidrovias. Somados a esse gargalo da logística ainda há a alta carga tributária incidente sobre todas as etapas da produção. Nos últimos anos, o que muito ouviu-se falar é do alto "custo Brasil", que tira a competitividade dos produtos nacionais e favorece as importações. Até agora poucas iniciativas foram tomadas para reduzir os seus impactos.
No entanto, devido à grande necessidade de obras há a expectativa de que esse cenário comece a mudar. De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração, o País deverá contar com um adicional de R$ 1,260 trilhão para investimentos em obras no setor de infraestrutura até 2017. Devem ficar com a maior parte do bolo as cadeias de óleo e gás, transporte, energia e indústria devido à demanda reprimida.
A estimativa é importante porque pode indicar para uma mudança na condução da economia. Desde o início da crise econômica mundial, o Brasil optou por estimular o consumo como forma de manter a economia interna aquecida e a oferta de empregos em alta. A estratégia funcionou, mas os últimos indicadores mostram que essa política perdeu um pouco de fôlego. As desonerações ainda têm um papel importante, mas não resolvem o problema, apenas postergam a sua solução.
Uma infraestrutura logística melhor pode, inclusive, alavancar investimentos da iniciativa privada. Pesquisa da Fundação Dom Cabral (uma das maiores escolas de negócios do mundo), divulgada no ano passado feita com empresas de todos os portes mas que somam 30% do Produto Interno Bruto, aponta para uma insatisfação lógica com a atual infraestrutura. Além disso, 85% das entrevistadas afirmaram que investiriam mais em novas indústrias ou centros de distribuição se as condições de rodovias e aeroportos fossem melhoradas.
Além da oferta de empregos e movimentação de uma cadeia de commodities necessárias à execução das obras, a economia seria favorecida também por investimentos da iniciativa privada. Seria importante que houvesse uma mudança na condução da política econômica até como forma de fomentar o crescimento sustentável do País.

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