INVESTIMENTO SEGURO Solidez mantém no azul o mercado imobiliário
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terça-feira, 02 de dezembro de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
No ano da crise financeira originada nos EUA em consequência das hipotecas nocivas (subprime), o mundo assiste atônito ao desenrolar do colapso econômico mais grave desde 1929. No Brasil, as atenções são voltadas, entre outros setores, ao imobiliário. E geram a sucessão de perguntas: o crescimento acabou, o efeito é dominó e a crise é iminente?
Negativo. Para o presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi-PR), Luiz Carlos Borges da Silva, os imóveis têm a segurança como fator de atração.
Em entrevista à FOLHA, Luiz Carlos, que esteve em Londrina nessa semana, apresenta números do Estado e ressalta: mesmo frente à crise no cenário internacional, o mercado imobiliário brasileiro apresenta boas perspectivas.
Diante da crise financeira, qual a atual realidade do mercado imobiliário no Paraná?
O mercado imobiliário no Estado continua da mesma forma que estava no mês de julho, estável. Logicamente com uma pequena tendência de baixa, o que era previsto em função de todas as notícias catastróficas que saíram por aí. O índice de velocidade de venda se mantém estável e os preços no último mês subiram 1,5%. Isto demonstra que quem tem imóvel para vender não abre mão de vender pelo preço real, até porque muitas pessoas estão indo para o mercado imobiliário, deixando a especulação como as bolsas e o mercado financeiro de lado.
Mas o momento não é de frenesi...
Logicamente que não teremos aquele viés de uma grande alta, aquele ''boom'' que haveria nos preços não vai haver, mas também não vai haver queda, ao contrário, deve subir ainda um pouco. Os imóveis, mais do que nunca, são o porto seguro para quem quer investir com segurança.
Nos EUA, depois das montadoras, o setor da construção civil fez lobby para ter seu próprio socorro financeiro. O que se passa por lá não pode se repetir no Brasil?
É muito importante diferenciar e separar os casos. Nos EUA, precisamos dividir muito bem o que é o mercado imobiliário e o que é o mercado subprime. O que quebrou nos EUA foi o mercado das hipotecas. Quando o mundo inteiro injetava dinheiro no país, os agentes financeiros convenciam as pessoas a pegarem empréstimos, evidentemente fazendo com que toda a economia norte-americana crescesse fora da realidade. Há dois anos, quando estive nos Estados Unidos, via pessoas comprando o segundo, o terceiro imóvel. E me perguntava incrédulo se aquilo era possível. A subida tão alta do preço dos imóveis baseada na especulação definitivamente não se sustenta. Tratava-se de uma tragédia anunciada e até hoje não sei como os economistas norte-americanos não puderam perceber aquilo que estava sob seus olhos.
Não vai haver crise no mercado imobiliário nacional?
Não. Não existe crise imobiliária no Brasil e nem vai existir porque os preços no país ficaram muito tempo estagnados. As construtoras estavam trabalhando com preços no limite da sobrevivência e, mesmo o anterior aquecimento do mercado não refletiu toda a alta possível que o imóvel teria condições de atingir. Nesse sentido, não há como perder valor. Aquele que tem um imóvel não vai perder dinheiro como ocorreu na Bolsa de Valores.
Mercados como o de São Paulo apresentaram, durante a chamada ''orgia do consumo'', aumento significativo no preço dos imóveis. E os preços no Paraná como ficam em relação à média nacional?
São Paulo apresenta um mercado maior e consequentemente traz uma maior demanda e crédito farto. As construtoras investiram muito lá. Por aqui, é tradição do consumidor paranaense ser conservador. Pela timidez, o paranaense teve uma vantagem nesse momento. Estamos tranquilos quanto ao Estado e em relação ao Brasil. O paranaense pesquisa muito, vai e volta do plantão de vendas dez vezes se for necessário e é muito seletivo. As empresas precisam buscar a qualificação.
Nesse momento de desconfiança, o que o sindicato tem feito?
O Secovi está fechando um convênio com o Sebrae, que vai permitir, em 2009, capacitar 400 empresas paranaenses num programa de competitividade imobiliária. Nele, as empresas vão saber como estão posicionadas no mercado, tendo acesso a seus pontos fortes e fraquezas. O investimento só para qualificar os proprietários das empresas que estamos fazendo gira em torno de R$ 1 milhão. Além de qualificar o dono da empresa, vamos continuar qualificando seu quadro de funcionários.


