Investimento no Maglev em Cidades Sustentáveis
“Como a prioridade para os ônibus não dá resultado, as empresas imploram por subsídios para não quebrarem”
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segunda-feira, 04 de novembro de 2019
“Como a prioridade para os ônibus não dá resultado, as empresas imploram por subsídios para não quebrarem”
Espaço Aberto 
Até o final da próxima década, 60% da população mundial estará residindo em zonas urbanas. No Brasil, somos mais de 86%. Viver na companhia de outras pessoas é uma tendência inexorável, exigindo que as cidades sejam economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente corretas.
A mobilidade é um dos problemas que afetam as aglomerações humanas. O crescimento do transporte individual sobrecarrega as vias, exigindo constante investimento. Como não existem recursos suficientes, a velocidade média cai, acarretando redução de demanda do transporte público.
Atualmente, de acordo com a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), a produtividade medida em IPK (Índice Passageiro por Quilômetro) está em torno de 1,4. Em outras palavras, um ônibus pesando vazio 10 toneladas, com motorista e cobrador, transporta na média 1,4 passageiro em cada quilômetro percorrido. Com a redução demanda (40% na última década), a produtividade cai e os custos crescem, afugentando clientes. A solução proposta pela NUT é dar prioridade ao transporte público, construindo corredores nas vias públicas, que como o nome indica, são públicas, não apenas para um único segmento da economia. O espaço físico urbano é disputado pelos automóveis, motocicletas, bicicletas, patinetes e pessoas andando a pé. Em São Paulo, os corredores de ônibus aumentam a velocidade média em 20%, passando de 12 para 14 km/h. O prejudicado é o usuário do transporte público, vítima desta injustiça social. Como a prioridade para os ônibus não dá resultado, as empresas imploram por subsídios para não quebrarem, afetando as áreas governamentais de educação, saúde e segurança; ou exigindo aumento de impostos. Mas existe uma solução tecnológica capaz de resolver a questão: vias segregadas, subterrâneas ou aéreas, com veículos de levitação magnética, com velocidade operacional de 60 km/h.
Desde junho de 2016 opera na cidade Changsha, na China, o Maglev Express, um sistema metroviário em via elevada de levitação eletromagnética com velocidade máxima de 110 km/h. Trata-se de uma inteligente aplicação da tecnologia maglev de alta velocidade (450 km/h no Transrapid de Xangai, operando desde 2004). Trata-se de uma tecnologia com enorme potencial para redução de custo construtivo e operacional, em comparação com um metrô comum no Brasil. Em nossa proposta do Maglev Metropolitano, a via elevada estará toda coberta com painéis solares, gerando energia e receita local, pois o próprio trem ambientalmente correto, que levita sem ruído, não consome 10% desta energia.
Com a atual redução das taxas de juros, existe uma procura mundial por rentabilidade. O retorno do investimento em painéis solares no maglev se dá em dois anos e os primeiros cálculos de sensibilidade do Maglev Metropolitano para Petrópolis e Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro, indicam uma Taxa Interna de Retorno de 11% e 18% ao ano, são projetos economicamente viáveis. Existe no mercado financeiro brasileiro, desde 2011 pela Lei nº12.431 as Debêntures de Infraestrutura, inclusive para Mobilidade Urbana, comercializadas por financeiras. Portanto, existe necessidade (demanda), tecnologia (maglev operando) e recursos (Debêntures de Infraestrutura). Nada impede que os atuais experientes associados da NTU sejam os operadores deste sistema inovador, sendo mais bem remunerados e prestando um melhor serviço.
Toda tecnologia inovadora é inacreditável, até que se torne operacional e passe a fazer parte do dia a dia. Quem sabe o convênio entre a UEL a Prefeitura e Investidores nos mostre um caminho? Londrina pode ser um exemplo sustentável a ser seguido por centena de outras cidades brasileiras de porte médio, é só querer.
Eduardo David, engenheiro ferroviário e consultor internacional em Engenharia de Transportes e pós-doutorado no IFW da Alemanha


