Fran Mosca, gerente de desenvolvimento global de uma agência de intercâmbios que atua em mais de 45 países, visitou Londrina essa semana, à convite da Assessoria de Relações Internacionais da Universidade Estadual de Londrina.

Trabalhando em parceria com a agência de intercâmbio World Study, Mosca integrou, só ano passado, cerca de 80 estudantes brasileiros, de 20% a 30% do total, em cursos de graduação e pós-graduação nos Estados Unidos. Em entrevista à FOLHA ele explicou mais sobre o sistema de recrutamento de alunos.

Quais as vantagens para o jovem que estuda no exterior?
Primeiro é o reconhecimento mundial do título universitário obtido nos Estados Unidos. É preciso fazer um trâmite para validá-lo, mas é possível utilizá-lo em todo o mundo. Segundo é a experiência que este estudante adquire durante o período em que realiza o programa universitário. Como estudante internacional, ele também convive com culturas diferentes dentro do campus.

Qual é o perfil dos estudantes?
O mais importante é o estudante tenha o desejo de estudar fora. Pode ser alguém que acabou de terminar o ensino médio, que iniciou uma faculdade ou até já terminou a graduação. Não há limite de idade, mas o ideal é ter entre 18 e 30 anos.

Como é o recrutamento?
Ele tem que procurar uma agência de intercâmbios e fazer diferentes entrevistas para que a agência encontre a universidade ideal. Tem um processo de entrevistas e diferentes documentações que o aluno deve apresentar à agência de intercâmbio local, como exame médico, currículo, histórico escolar, além de uma redação dizendo por que quer estudar nos Estados Unidos.

Existe procura por alguma profissão específica?
Estudantes brasileiros de graduação procuram muito administração de empresas e os que fazem pós-graduação, os MBAs.

Eles trabalham enquanto estudam?
Existem oportunidades de trabalho dentro do campus universitário. Legalmente, com o visto de estudante, o aluno pode trabalhar unicamente para a universidade que emitiu o visto. E dentro do campus existem muitos postos: na biblioteca, no ginásio, assistente de um professor e muito mais. Trabalhando 15 ou 20 horas semanais, ele produz US$ 500 por mês.

Eles voltam logo após o término do programa ou ficam por lá?
Os alunos recebem visto para praticar tudo o que aprenderam nos quatro anos, numa experiência de trabalho de um ano. A maioria, diria 90% dos estudantes, pega o visto de trabalho e fica lá por um ano.

Como é o número de brasileiros em relação aos outros países?
A cultura brasileira gosta e crê que a educação norte-americana é boa. Entre os atletas, 30% são brasileiros. Do programa acadêmico, os estudantes que recebem bolsa de estudo estão entre 20% e 30% do total com o qual trabalhamos.

Qual é o custo para participar dos programas?
A universidade, nos Estados Unidos, tem um custo entre US$ 20 mil e US$ 40 mil por ano. A maioria dos brasileiros que recebe bolsa de estudo paga entre US$ 8 mil e US$ 15 mil anuais. Isso inclui alimentação, hospedagem e estudos. E o pagamento é feito diretamente à universidade, um por semestre. Estudantes pagam o custo da agência unicamente se receberem a bolsa. E nosso custo fica ao redor de US$ 2 mil para participar do programa, pago numa única vez. A bolsa de estudos tem duração de quatro anos, mesmo tempo que dura a carreira universitária.

Em quais circunstâncias o estudante pode perder a bolsa?
Quando há problema de conduta ou se repetir matérias. Se o estudante não vai bem em uma matéria, os professores conversam com ele, detectam o problema e tratam de resolver, mas se o estudante repete em cinco matérias, algo não está funcionando. Se tem um problema de conduta é muito difícil receber uma segunda chance. Mas nunca tivemos problemas de conduta com brasileiros.

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