INVESTIMENTO ESTRATÉGICO - Adesg cobra reaparelhamento das Forças Armadas
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
Elaine Souza<br> Reportagem Local 
''Toda decisão sempre desagrada alguém e, no caso atual, a decisão do governo brasileiro em se aproximar desses países de certa forma desagrada um parceiro tradicional nosso, que são os Estados Unidos.'' Dessa forma, o brigadeiro Hélio Gonçalves, presidente nacional da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), avalia as políticas de defesa nacional e diplomática mantidas pelo governo federal.
Para ele, um investimento essencial no setor é o reaparelhamento das Forças Armadas. Gonçalves, no entanto, defende também maior apoio para a Adesg e para a Escola Superior de Guerra (ESG). Um pedido nesse sentido deve ser encaminhado em breve ao ministro da Defesa Nelson Jobim. É o que afirma Gonçalves, que está percorrendo as sedes das Adesgs em todo o País para verificar o andamento dos trabalhos da instituição, que, segundo ele, é responsável por divulgar valores como ''civismo, cidadania e ética'' para toda a sociedade.
Em entrevista à FOLHA, o brigadeiro avalia o momento da política externa brasileira e manifesta preocupação com impasses como a Lei do Abate de aeronaves e a compra de caças para a Força Aérea.
Qual a sua avaliação sobre a política de defesa nacional?
Esse tema é complicado. Posso responder como cidadão. Eu acho que nós estamos melhorando, mas precisamos melhorar ainda mais, principalmente na parte do reaparelhamento das Forças Armadas. Acredito que é isso que a atual equipe do Ministério da Defesa, capitaneado pelo ministro Nelson Jobim, está procurando fazer. Temos que passar do discurso para a prática. Está faltando isso.
A demora do governo em decidir entre os caças franceses, suecos e americanos é prejudicial ao País?
Toda decisão que a gente demora um pouco para tomar sempre traz um certo desgaste. A parte técnica já foi resolvida pela Aeronáutica, que já emitiu um parecer. Agora passou a ser uma decisão política do governo (a opção foi pelo modelo sueco). Então temos que aguardar. Os três equipamentos são excelentes e atendem perfeitamente as necessidades.
Como o senhor avalia a crise entre Colômbia e Venezuela?
Como cidadão posso dizer que é um desentendimento que vai ter uma solução. Está tudo caminhando nesse sentido.
O relacionamento do Brasil com países como o Irã e a Coreia do Norte pode influenciar de maneira negativa a Defesa Nacional?
Toda decisão sempre desagrada alguém. Nesse caso, a decisão do governo em se aproximar desses países de certa forma desagrada um parceiro tradicional, os Estados Unidos. Mas é uma decisão política do governo.
Qual a sua avaliação sobre a Lei do Abate, que permite a derrubada de aviões clandestinos no espaço aéreo da Amazônia?
A Lei do Abate veio para suprir uma grande deficiência. Muitas vezes o piloto brasileiro identificava um outro piloto hostil e ele não obedecia ao comando de pousar ou retornar, e ficava por isso mesmo. Abater, no entanto, é uma decisão muito difícil de ser tomada. Agora, com os parâmetros da lei (como a origem do voo de regiões produtoras de droga e a insistência do piloto de não responder os pedidos de contato), sabe-se que aquele avião passível de ser abatido está praticando um delito, que não é um avião que está transportando passageiros, por exemplo.
Como está o trabalho do senhor à frente da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg)?
Eu tenho visitado algumas Adesgs espalhadas pelo Brasil e vejo como o pessoal se interessa e valoriza a ação dessa instituição. Estamos procurando fazer um planejamento aplicando o método de ação política que é divulgado e praticado na Escola Superior de Guerra. É um método que pode ser aplicado em qualquer instituição. Assim que estiver pronto, vou marcar uma audiência com o ministro da Defesa para mostrar quais são nossos caminhos e objetivos. Com isso, vamos solicitar um apoio governamental maior ao sistema ESG e Adesg.


