Em Londrina, o ano de 2002 é motivo de comemoração no setor de construção civil mas, aparentemente, apenas entre as empresas que investem em imóveis de padrão elevado. O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscom), José Roberto Hoffmann, afirma que as empreiteiras médias e pequenas sofrem pela diminuição do volume de serviços.
''As construtoras atuam em três frentes: prestação de serviços, obras públicas e empreendimentos. No primeiro caso, as empresas praticamente pararam de investir. No segundo, além da diminuição do ritmo de obras públicas na cidade, o pagamento dificilmente é feito dentro do prazo. E, por último, quem lança empreendimentos está sendo obrigado a investir em nichos, como as habitações para universitários. Os lançamentos em padrões baixo e médio praticamente acabaram'', explica Hoffmann. Segundo ele, os investimentos em construção civil diminuíram 70% em Londrina desde o ano passado.
Os motivos seriam a queda do poder aquisitivo da população, os juros altos e as turbulências econômicas, decorrentes da alta do dólar e das cicatrizes do 11 de setembro. ''Outro problema em Londrina é que os empreendimentos mudaram muito seu perfil, estão sendo direcionados para os loteamentos fechados, longe do centro'', afirma Denílson Pestana, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Londrina.
O sindicalista explica que este novo direcionamento acabou gerando uma grande informalidade. ''Nestes loteamentos, a execução da obra é feita muitas vezes pelo próprio proprietário, sem a devida contratação de especialistas técnicos e de empresas da área. Tem muita gente trabalhando no setor sem carteira assinada'', afirma Hoffmann.
Ele apresenta números que seriam elucidativos: há dez anos, Londrina empregava 12 mil profissionais na construção civil. Hoje, seriam apenas 3.500 registrados; cerca de 4.500 trabalhadores estariam na informalidade e os outros postos de trabalho foram transferidos para outras cidades. Em 2002, segundo números do Sindicato, o setor de construção civil despediu 1.185 trabalhadores em Londrina até setembro.
A informalidade é uma das grandes preocupações atuais de órgãos como o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e o Sinduscon, que têm denunciado ao Ministério Público as irregularidades comprovadas em todo o Estado.

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