Investigação policial e o caso Tayná
O homicídio da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, é mais um a ficar marcado por sucessivos erros e excessos. Desde a "solução" para o caso à reviravolta e acusação de tortura que teria sido praticada por policiais, os fatos são estarrecedores e as consequências irreversíveis. O parque de diversões montado em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba) em que os quatro acusados trabalhavam foi destruído pelo fogo após a ira popular. Os homens permanecem presos, mas segundo membros da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, há ferimentos de agressão em todos eles.
Desde o início do caso, foram apresentadas inúmeras versões. Três delegados já foram designados para investigar o crime. O principal fato, que a adolescente teria sido estuprada por três homens enquanto um outro apenas observou a ação, já caiu por terra. Segundo a perícia, exames revelaram que o sêmen encontrado no corpo da garota não é compatível com o DNA de nenhum dos acusados. A perícia não confirma sequer a violência sexual.
São fatos muito graves que não podem passar em branco ou cair no esquecimento. Se os quatro acusados são inocentes e se ficar comprovada a prática de tortura, os responsáveis precisam ser punidos. A tortura não pode ser aceita em hipótese nenhuma pela sociedade porque trata-se de violação grave dos direitos humanos. Fatos como esse fazem parte de um passado recente da história brasileira, mas que todos desejam esquecer. Além disso, é importante lembrar que o fim da violência policial foi incluído entre as reivindicações dos manifestantes que tomaram o País semanas atrás.
É importante que o Ministério Público e a Polícia Federal acompanhem o caso e que os responsáveis sejam punidos exemplarmente. No entanto, também é preciso que policiais sejam bem treinados e preparados para assumir a função. Comportamentos isolados como esse acabam com a credibilidade de toda a categoria.





