Investidores buscam qualidade de vida
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de abril de 1997
Antoninho Marmo Trevisan 
Quem ganha uma bolada na loteria pode resolver uma boa parte dos seus problemas, mas arrumar outros tantos. Depois do entusiasmo inicial, dos sonhos de consumo realizados, que fazer com o dinheiro que sobrou? Onde aplicar, em que investir? O mesmo acontece quando se decide instalar uma empresa: um longo processo está apenas começando até que se defina o local.
Onde instalar uma empresa é questão que está na cabeça dos novos investidores e de governadores e prefeitos. Hoje quase ninguém mais se estabelece numa cidade porque é amigo do prefeito ou porque ganhou de presente um pedaço de terra. Quem investe quer saber da qualidade de vida que a região oferece e se a infra-estrutura local responde com regularidade às exigências de uma indústria e da população em geral. Estamos falando, portanto, em identificar uma região que oferece melhores condições de vida.
O que é qualidade de vida? Depende. Para os que vivem numa grande metrópole, disputando cada centímetro cúbico do espaço e do ar que respiram, de baixíssima qualidade, diga-se de passagem, e convivem com violência e criminalidade crescentes, qualidade de vida deve ser tudo aquilo que se contrapõe a isso. Uma casa no campo, pau-a-pique e sapê? Perfeito, desde que ofereça também os recursos típicos de um grande centro urbano: hospitais aparelhados, escolas de primeiro time, saneamento básico, estrutura de lazer, estradas, aeroportos, empregos.
Do lado de lá, onde o ar é mais puro, todo mundo se conhece e, se não os pés, uma boa bicicleta resolve os problemas de locomoção. Qualidade de vida deve ser: hospitais, escolas, saneamento básico, lazer, estradas, aeroportos e... empregos.
A Trevisan, em conjunto com a revista Exame, fez um levantamento para identificar as melhores cidades para se investir e para se viver no Brasil, começando por definir exatamente o que é qualidade de vida.
Progresso profissional e facilidades de acesso a um eficiente sistema de saúde e educação é o ponto comum entre o brasileiro que habita um grande centro urbano e o da pequena cidade. Foram ouvidas 154 pessoas de todas as regiões do País, sobre os critérios mais importantes que definiriam um local bom de se viver. Para isso, também levantamos farto material do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, e do Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento, o PNUD. Esses dois órgãos produziram o Índice de Desenvolvimento Humano. Três atributos se sobressaíram nessa pesquisa: sistema de saúde eficiente e disponível, educação e clima agradável. Oportunidades de trabalho, saneamento básico e habitação foram os itens que vieram em seguida.
Ao organizar os demais atributos, fechamos a grade da pesquisa e concluímos que as cidades que não cuidarem da sua infra-estrutura, aí englobando habitação, saneamento básico, rodovias e aeroportos têm poucas chances de desenvolvimento e possuem baixa atratividade para novos investimentos. No campo social e econômico, aparecem emprego, educação e saúde e na questão ambiente, três quesitos ganham pontos: clima, lazer e criminalidade.
A pesquisa mostrou que os municípios eleitos para receber novos investimentos são aqueles que oferecem vantagens competitivas em relação à infra-estrutura, mercado, logística e política de incentivos, mas também, e principalmente, pela qualidade de vida que proporciona a seus habitantes.
Portanto, caro leitor, se você quiser instalar uma fábrica nova, mudar de cidade e buscar uma vida mais saudável e feliz, ou ainda candidatar-se a prefeito, anote esta lista de atributos e trate de checar antes para ter um futuro melhor, especialmente os três últimos itens: clima, lazer e criminalidade.
- ANTONINHO MARMO TREVISAN é consultor de empresas


