Desde outubro esta FOLHA vem alertando sobre a volta da inflação, confirmada em dezembro, mas com alguns índices já salientes em novembro. A preocupação não é com os preços de bens de consumo ou duráveis; estes são ''dribláveis'', como afirmaram economistas consultados naquela oportunidade. O alerta era onde ancorar suas aplicações para que o rendimento no primeiro trimestre do ano, não perca para outros indicadores. Como abrigar o dinheiro para evitar a desvalorização é coisa da cultura inflacionária, que pode voltar, infelizmente.
A trajetória da inflação não mudou e confirma a previsão de outubro. Medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) a inflação voltou a acelerar. Os dados são da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Houve uma alta de 1,06% para o indicador até a quadrissemana encerrada em 15 de janeiro (segunda prévia do mês). O índice ficou acima do IPC-S imediatamente anterior, referente à quadrissemana terminada em 7 de janeiro, quando houve alta de 0,92%.
Das sete classes de despesa usadas para cálculo do IPC-S, cinco apresentaram acréscimos em suas taxas de variação de preços, da primeira para a segunda prévia do mês. Aumentos mais intensos nos preços de Educação, Leitura e Recreação (de 1,46% para 2,43%) e de Transportes (de 0,91% para 1,49%) foram determinantes para a taxa maior do IPC-S.
Já, quando a inflação é medida pelo IGP-10, as coisas mudam. Alimentos mais baratos no atacado derrubaram a inflação medida pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), que recuou de 1,27% para 0,49% de dezembro para janeiro. Mas o indicador bem comportado não melhorou o humor do mercado financeiro, que aguarda nova alta de juros esta semana, na primeira reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) no ano.
Analistas alertam, ainda, que o primeiro trimestre deve contar com pressões de aumentos de preços no atacado e no varejo. Diante desse cenário, pode-se prever queda de braço na hora de atualizar preços nas mensalidades escolares e índices da construção civil e aluguel.

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