O inverno amedronta os norte-paranaenses, acostumados a altas temperaturas quase o ano inteiro, e é tempo de doar agasalhos para aqueles que não os têm, e que são muitos. Mas o que vale para esta região vale para todo o Paraná, porque o contingente de necessitados é alto. No caso de Londrina - objeto de reportagem deste Jornal - são 30 mil famílias cadastradas nos projetos de transferência de renda e que já recebem ajuda, inclusive do Programa do Voluntariado do Paraná e de outros serviços. Porém, quanto mais atendimentos houver, melhor.
Todas as famílias mais abastadas dispõem de roupas, cobertores, calçados, já sem uso, embora em boas condições. Essas coisas precisam ser doadas a quem precisa, e não apenas para desentulhar os armários mas por humanismo. Se muitas pessoas não sabem a quem dar especificamente, existem as entidades que recolhem essas doações, incluindo o Provopar. Com um pouco de boa vontade e a decisão de dedicar um dia para ''baixar o estoque'' dos armários e guarda-roupas, se proporcionará um pouco de vida melhor para tanta gente, principalmente crianças e idosos carentes, que são os que mais sofrem no frio.
Se a moradia desses excluídos já é precária - um problema social de fácil solução mas que os governantes não resolvem, preferindo primeiro locupletar-se com os altos ganhos e mordomias - se poderá amenizar o sofrimento de muitos doando-lhes agasalhos. ''A gente dorme junto para aguentar o frio'', declara uma mãe à FOLHA. A moradora de uma favela diz que usa plástico do lado de fora do barraco para impedir a entrada do vento frio. São realidades penosas que podem ser aliviadas, enquanto o poder público não toma a decisão de olhar para estes mal-acomodados co-irmãos.
Sabe-se que as pessoas, na maioria, são pródigas em dar socorro a famílias de baixa ou nenhuma renda, devendo-se destacar a obra de tantas entidades assistenciais, mas sempre pode-se fazer algo mais, como doar coisas que sobram. E não apenas estas mas também coisas novas. Melhor seria se, por melhor condição social, cada qual pudesse auto-suprir-se de todos os bens e necessidades, mas se isto ainda não acontece é preciso exercitar a solidariedade. Enquanto se ajuda dessa forma, pode-se ir pensando em soluções duradouras e bem-estar para todos. Porque cada cidadão é também um político, um minigovernante, com poder de doar, reivindicar, pressionar, enfim dar sua cota de contribuição.

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