Inverdade de Aécio ao dizer-se não-candidato
Dias atrás defendeu-se neste espaço que os homens públicos precisam dar transparência aos seus atos e palavras e assim ganhar o respeito dos cidadãos. O governador mineiro Aécio Neves, candidato potencial à Presidência da República, já começa faltando com a verdade ao declarar - como fez esta semana em Curitiba - que não está em campanha eleitoral e que suas viagens pelo Brasil são para ''partilhar experiências'' com os governadores e prefeitos do PSDB, o seu partido. Obviamente uma inverdade. Tão mais honesto seria ele dizer que é, sim, candidato e que suas andanças visam chegar ao trono presidencial. Uma aspiração legítima de quem está na vida pública e tem chance.
Para governar Minas Gerais não são necessárias tantas viagens pelo Brasil, e seria ingênuo ele pensar que o povo acredita nessa história de partilhar aprendizados e que ''esta é uma maneira nova de governar''. Melhor ele faria se dissesse que busca apoios para seu grande propósito. E se, sabidamente, este é o objetivo, não há por que escondê-lo da população. Se os políticos já começam dissimulando, imagina-se que continuarão fazendo isso quando alcançarem os postos que almejam. Aécio não tinha nenhuma razão para, vindo das Alterosas, participar de uma simples solenidade de premiação das ''personalidades do ano'' da Associação das Empresas da Cidade Industrial de Curitiba, terra do colega partidário e prefeito Beto Richa, nome cogitado para ser seu vice numa eventual candidatura presidencial.
Também aí nada impedindo a revelação das intenções, porque ambos poderiam formar essa dupla e o Paraná estaria representado no embate. A legislação não impede que um governador viaje e que tenha aspirações maiores na carreira política. Se ele declarar o que realmente ambiciona, estará sendo verdadeiro, sem necessidade de falas artificiosas que o povo já não absorve.
Aparentemente, este é um detalhe irrelevante - e todos os candidatos potenciais comportam-se dessa maneira - mas que intriga o povo, sempre relegado pelos políticos à condição de ingênuo, que a tudo engole e que se deixa embalar por cantos de sereia. Dizer a verdade não denigre a imagem do jovem político mineiro, postulante ao cargo máximo da República e já se movimentando para seu nome robustecer-se e ser aprovado na convenção partidária. Mas sem essa de dizer que não é candidato.





