Em meio à tormentosa situação vivida pelo Paraná com a criação da febre aftosa por decreto governamental, agora um velho problema se repete: o ataque dos sem-terra. Em Bandeirantes, membros do Movimento dos Agricultores Sem Terra praticaram atos de assalto comum ao agredir e roubar proprietários de uma fazenda que invadiram. Em poder deles foram apreendidos um revólver, uma carabina, facas e facões. Isto não chega a ser novidade, porque as propriedades que os sem-terra invadem, no mais dos casos, resultam destruídas, porque eles abatem animais, destróem instalações e deixam um rastro de vandalismo. Preparados pelos seus líderes apenas para a invasão e não para a exploração da terra algo já difícil de tocar pelos entendidos e que zelam por ela os sem-terra convertem-se em predadores, até porque adentram a propriedade precisando alimentar-se e sem estrutura para administrar a atividade. Em Quedas do Iguaçu quinhentos deles invadiram duas fazendas, e em Santa Teresa do Oeste cerca de mil invasores ligados aos movimentos que compõem a Via Campesina ocuparam área experimental de uma multinacional. Esperava-se que o Governo Lula, aliado ideológico do movimento dos sem-terra, fizesse um grande avanço na questão da solução agrária, mas viu-se que sua identidade era apenas com a metodologia tática e política do MST e não com medidas definitivas e duradouras para os colonos sem-terra. Essas medidas seriam o acesso à propriedade, financiamento agrícola, orientação agronômica, técnicas de manuseio, sistemas de escoamento de safras e ensinamento de administração e de comercialização dos seus produtos, e estrutura paralela para as famílias, como as de saúde e educação. Uma reforma agrária em molde científico ainda não se fez no Brasil, embora alguns núcleos funcionem razoavelmente. Verdade é que nem os com-terra são assistidos convenientemente por políticas públicas. Estes, com toda a sua experiência, penam para manter-se. Sistemas que operam em parceria com empresas privadas casos comuns no oeste catarinense têm dado mais certo do que a desastrada política pública que trata da questão agrária. Na verdade não existe no Brasil um projeto oficial consistente a respeito. O que há é invasão, acampamentos e assentamentos sem grande estrutura, faltando orientação dos organismos pertinentes do Governo para o desenvolvimento da propriedade, de forma a que seja produtiva e lucrativa e fixe definitivamente os colonos à terra. Fala-se colonos porque muitos que perfilam nas marchas do MST e outras organizações do gênero são pessoas sem intimidade com a terra, porque nunca trabalharam nela e só visam ganhar um lote para depois vendê-lo. A questão da agricultura tem recebido pouca atenção dos governos a não ser em certos períodos embora seja a mais importante atividade econômica, por produzir alimentos, proporcionar empregos (embora a inadequada legislação trabalhista para o campo) e produzir dólares de exportação. Com o invento de aftosa inexistente (obra de governantes que têm se revelado inimigos do produtor) e com a contínua invasão de terras produtivas, o Paraná rural vive em constante sobressalto.

mockup