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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 06/05/2022, 19:35

Invasão russa da Ucrânia, a Primeira Guerra Mundial Conectada

A guerra tem sido acompanhada e combatida literalmente na palma da mão, smartphones são a mais prática conexão de uma pessoa com a internet

PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de maio de 2022

Roberto Bondarik
AUTOR autor do artigo

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Em 24 de fevereiro, quando a Rússia atacou a Ucrânia, iniciou-se o mais grave conflito bélico na Europa desde que a Alemanha nazista invadiu a Polônia em 1939, passando pelas guerras balcânicas da década de 1990. O conflito atual se apresenta como uma Guerra Mundial Conectada (Word War Wired), onde a luta é localizada mas o seu acompanhamento, repercussão e consequências tem sido mundiais.

A internet permite que se acompanhe em tempo real, ataques, enfrentamentos, fugas, situações de desespero e demais ações da guerra, um conteúdo produzido por combatentes ou moradores das áreas do conflito. Como um reflexo de nosso tempo de extrema interação nas mídias sociais, muita informação descontextualizada ou mentirosa, também tem sido distribuída e compartilhada.

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A guerra começou antes do avanço das tropas, quando os serviços públicos ucranianos, seus sistemas de comunicação, bancário, de energia etc., sofreram ataques cibernéticos que afetaram o seu funcionamento, tornando-os lentos ou desligando-os. O uso da Tecnologia da Informação não é novidade ali naquela região, hackers russos, sejam civis ou militares, foram acusados de intervenção em diversos momentos como a eleição de Donald Trump nos EUA, o plebiscito do Brexit, que resultou na retirada da Grã-Bretanha da União Europeia. Os ucranianos fornecem serviços paras Big Techs do Vale do Silício e pelo menos para cem, das quinhentas maiores empresas mundiais listadas pela revista Fortune. Estima-se em mais de duzentos mil os ucranianos, altamente qualificados, que trabalham no setor de T.I. internacional, um serviço que, aliás, deve estar sofrendo os efeitos da guerra.

No início, o serviço de mapas do Google apontou, nas estradas ucranianas, onde ocorriam congestionamentos provocados pelos tanques e comboios russos, fornecendo importantes informações para aqueles que os precisassem evitar e para os outros que desejavam combatê-los. O uso dos diversos recursos dessa empresa devem, de fato, ter tido efeitos práticos nos combates porque, pressionada, ela chegou a anunciar que limitaria o seu na Ucrânia, a Rússia também ameaçou impedir o acesso ao Google em seu território acusando-o de permitir a divulgação de fatos e dados distorcidos sobre a sua atuação no conflito. Porém os mapas do Google atualizados e outras imagens obtidas por meio de satélites comerciais, permitiram que segredos militares russos, envolvendo a movimentação das suas tropas fossem revelados e utilizados pelos ucranianos.

A guerra tem sido acompanhada e combatida literalmente na palma da mão, os smartphones são a mais prática conexão de uma pessoa com a internet. Os ucranianos têm feito uso do reconhecimento fácil dos soldados russos mortos ou capturados, o que lhes permite identificar quem são, acessar suas redes sociais, seus dados pessoais e, principalmente localizar suas mães para enviar-lhes imagens dos seus filhos e da sua situação. Divulgaram-se também vídeos curtos de mães russas lamentando a morte de seus filhos paraquedistas em combate. A veracidade daquilo que é mostrado nas redes como acontecimentos da guerra, tem sido demostrada ou desmentida pela ação de internautas que, como espiões mesmo que amadores, tem divulgado o resultado de suas descobertas, análises e conclusões por meio especialmente do Twitter. O acesso à internet nos locais onde a infraestrutura de comunicação foi destruída, teve uma ajuda substancial da empresa Star Link, de Elon Musk, que enviou equipamentos que permitem a conexão direta com sua rede de satélites.

Se a internet não consegue ainda acabar com a guerra, permite ao menos acompanhar seu desenrolar, construindo e descontruindo narrativas. Que a tecnologia permita reconstruir e manter uma convivência pacífica entre os povos e suas nações.

Roberto Bondarik, professor titular da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, em Cornélio Procópio

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