É uma abusada pretensão das concessionárias de rodovias, no Paraná, desejar extrair do bolso do povo o ressarcimento dos danos materiais e o não-recebimento de ganhos pela invasão das praças de pedágio pelo Movimento dos Sem Terra. Porque o MST não é uma instituição pública, que eventualmente estivesse vinculada ao Estado - uma das partes nos contratos com aquelas empresas. A invasão foi como um vendaval comum que destrói propriedades, e cada qual que arque com os prejuízos, se não tiver alguma forma de seguro. As seis empresas beneficiadas pelo ex-governador Jaime Lerner com o negócio do pedágio estão pretendendo levar ao Departamento de Estradas de Rodagem um levantamento dos estragos e ganhos cessantes, para que isso entre no cálculo do equilíbrio financeiro, com possível reflexo no reajuste anual de tarifas ou no programa de investimentos.
Não pode receber amparo legal a declaração do diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias de que há ''complacência do Governo do Paraná'' nas invasões das praças do pedágio. Porque isto é uma suposição, e mesmo que seja do agrado dos usuários passar sem pagar, como ocorreu durante os dois dias de tomada dos guichês arrecadadores, isto não caracteriza culpa. Mas as concessionárias tudo fazem para auferir todas as formas de lucro, mesmo quando sofrem acidentes de percurso como o provocado pelos três mil sem-terra. Se as práticas de invasão de propriedades rurais, por essa militância, não são aprovadas, também não devem ser justificadas ações de destruição em outros setores, mas este é um risco a que qualquer empresa ou pessoa estão sujeitas. ''O pedágio é um dos principais entraves para a pequena agricultura'', argumenta o MST.
Não se discute, no caso, se os sem-terra justifiquem ou não suas razões - embora seja certo que o pedágio tange duramente o pequeno produtor - e sim o absurdo de as concessionárias desejarem indenização do Estado, o que significa punir os usuários por um caso acidental que não tem vinculação com o poder público estadual. Sem dúvida, deixar de receber por dois dias significa uma quantia alta, porque o ganho das concessionárias é elevadíssimo. São em ocasiões como esta que se avalia o quanto representa o volume da receita das concessionárias. Que não tiveram propriamente prejuízo mas cessação momentânea de lucro. Na conta de lucros e perdas das concessionárias a segunda palavra não existe, e se houver alguma baixa de arrecadação o povo que pague - é o entendimento delas. A rapidez de pedir ressarcimento ao DER demonstra a sua famélica ganância.

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