Curitiba - Em um período de duas semanas entre o fim de fevereiro e o começo de março, dois terrenos particulares foram invadidos por grupos de sem-teto em Curitiba. Denúncias de que as ocupações poderiam ter sido ''orquestradas'' fizeram com que o vereador Tico Kuzma (PPS) propusesse a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar as invasões.

Segundo Kuzma, o que chamou sua atenção foi uma denúncia de que Carlos Lima, assessor do gabinete do governador Roberto Requião (PMDB), compareceu a um terreno ocupado no bairro Campo Comprido. Lima afirmou que esteve no local apenas para tentar evitar possíveis conflitos. Mas, como desde o mês passado, Requião e o prefeito da capital, Beto Richa (PSDB), estão com relações rompidas, o fato ganhou repercussão. De acordo com o vereador, investigar uma suposta influência política nas invasões não é a única meta da CPI.

Quais são os objetivos desta CPI?
Nosso objetivo é investigar quem são essas pessoas que estão indo para esses locais, se elas precisam realmente dos terrenos. Há denúncias de muitas pessoas que têm carro, que têm condições, mas que estão ali se aproveitando. É preciso ver se há atravessadores lá. De repente, tem gente vendendo terrenos, o que é um crime. Queremos averiguar se tem alguém por trás, incentivando ou orquestrando essas invasões para não sei qual fim.

Quais motivos o senhor acredita que levam essas pessoas a fazer as ocupações?
Pode ter um motivo político por trás. Pode ter um motivo financeiro, com alguém querendo se aproveitar da situação para ganhar dinheiro em cima das pessoas, o que é um golpe de estelionato. E pode ter a real necessidade das pessoas que não têm onde morar, que não têm nem como pagar aluguel. Queremos saber como está esse problema, como estamos solucionando por meio da Cohab e da prefeitura, e que outras soluções teríamos para isso.

Essa suposta influência política partiria de quem?
Não posso falar para você. Mas li na imprensa que teria um assessor do governador nessa invasão do Campo Comprido. Ele disse que estava lá só para ajudar. Pode ser que seja para ajudar, mas queremos investigar. Não podemos acusar ninguém sem realmente comprovar. Por isso, o pedido de CPI. Também não vamos condenar ninguém. Vamos passar o que tivermos para o Ministério Público.

Essa onda de invasões pode ter alguma ligação com a recente briga política entre o prefeito Beto Richa e o governador Roberto Requião?
Acho difícil o governador ter falado alguma coisa. Mas pode ser que alguém, ligado ao governador, ache que isso vai beneficiá-lo. Na verdade, não beneficia. O governador deve gostar da nossa cidade. Então, se ele gosta, sabe que este não é o caminho. Além disso, acaba sobrando a responsabilidade para ele (governador), que tem de fazer a reintegração de posse, o que não é fácil. A polícia precisa ir lá e, às vezes, usar a força. E se não fizer (a reintegração), vai ser cobrado por não estar fazendo.

Quem seriam esses assessores do governador?
Não sei de nada. O que sei é o que está nos jornais.

O senhor teme que novas invasões ocorram nos próximos dias em Curitiba?
Com certeza. A gente teme e também não sabe se serão cumpridos esses mandados. Pelo menos, já foi feita uma reintegração de posse (na quinta-feira passada, no Campo Comprido). É importantíssimo garantir o direito da propriedade das pessoas. Precisamos entender os dois lados. Não somos contra as pessoas que estão invadindo. Somos a favor, queremos ajudá-las, mas da maneira correta.

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