INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ - 'É necessário educação para prevenir o aborto'
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Eli Araujo<BR> Reportagem local 
Nem progressista, nem conservador. O novo bispo de Jacarezinho, dom Antonio Braz Benevente, 49 anos, se define como um homem prático, que gosta de resolver ''as coisas com rapidez''. E adotando este conceito de praticidade, ele espera conciliar a missão da Igreja com as questões sociais.
Para dom Antonio, a Igreja tem uma missão evangélica que não pode ser mudada a bel-prazer de quem quer que seja. Segundo ele, o fato da instituição ser bombardeada diariamente por suas posições contrárias ao aborto e ao casamento homossexual, por exemplo, não deve ser motivo de preocupação exagerada. ''Em alguns casos são pequenos grupos que fazem muito barulho e em algumas coisas dão a impressão de que o errado está certo'', alfineta.
Dom Antonio assumiu a Diocese de Jacarezinho, uma das mais antigas do Paraná, no início de outubro. Nesta entrevista, ele revela o que pensa, entre outros assuntos, sobre o uso político do aborto, bastante presente na campanha eleitoral que resultou na vitória de Dilma Rousseff (PT).
Qual a sua avaliação sobre o uso do aborto como tema de campanha eleitoral?
Essa questão ajuda a mostrar que o povo brasileiro é a favor da vida. Nem precisa de plebiscito. O povo manifestou que está preocupado. Não é qualquer grupinho que acha que pode mudar a lei. A lei deve ser obedecida. É preciso fazer um trabalho preventivo que ainda não é feito. Só se fala no aborto como uma situação já existente, mas se esquece que tem que haver todo um processo educacional, de levar os jovens e os não jovens, as famílias, a refletirem sobre estas questões e as dificuldades todas da vida.
O que precisa ser feito em relação ao aborto em termos de prevenção?
É necessário oferecer uma boa educação para prevenir o aborto na juventude, porque o jovem gosta de ser aventureiro. É importante lembrar que a vida não é descartável. Nós estamos no mundo do descartável. O feto é encarado como algo descartável, quando, na verdade, é um ser humano, é a imagem de Deus sendo jogada fora.
A Igreja vem sendo cobrada em muitas questões consideradas polêmicas, como o aborto e a união de homossexuais. Como o senhor analisa a Igreja neste momento?
Os valores da Igreja, que são valores evangélicos, não mudam. Não podem ser mudados da noite para o dia. O que acontece, em alguns casos, são grupos pequenos que fazem muito barulho, dando a impressão de que o errado está certo. A gente precisa tomar um pouco de cuidado com essas bandeiras. A gente, como cristão católico, se mantém firme naqueles que são valores evangélicos. Ou seja, que são do próprio Jesus. E isso não muda ao longo dos séculos ou dos milênios.
O senhor diz que a Igreja não abre mão de seus princípios. Entretanto, algumas pesquisas mostram que parte dos católicos não age de acordo com esses princípios. O que o senhor acha disso?
A consciência é algo que ninguém mexe. A Igreja tem a sua proposta. A mensagem do Evangelho é oferecida, lida, proclamada, refletida, mas a pessoa tem o livre arbítrio para fazer a opção contrária. Mesmo dentro do quadro da Igreja, e isto em qualquer lugar do mundo, em qualquer grupo religioso ou não, as pessoas podem se rebelar contra isto ou aquilo e não aceitar na intimidade de sua consciência e viver de acordo com ela. Mas isto não significa que ela está agindo porque a Igreja permite ou não. Aí, é uma opção pessoal.
Qual a sua expectativa em relação ao trabalho frente à Diocese de Jacarezinho?
É saber que ela tem uma caminhada de muitos anos, desde 1926. Os bispos que por aqui passaram e em todo o Norte do Paraná, querendo ou não, levam um pouco dos traços religiosos de Jacarezinho. A nossa expectativa é conhecer a realidade, conhecer o povo, as necessidades do povo, estar com o povo nos momentos importantes da caminhada de fé. A expectativa é essa. É ter um primeiro contato de conhecimento, do que já foi feito e daquilo que deve ser feito.


