Internet aproxima os solitários
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de abril de 2003
Claudio Yuge<br>Reportagem Local 
A Internet, já incorporada no cotidiano de milhares de pessoas em todo o mundo, deixou de ser há muito tempo apenas ferramenta de trabalho e pesquisa ou mesmo mais um forma de entretenimento. É atualmente um dos meios de comunicação mais utilizados por aqueles que procuram desabafar, tem um pedido de ajuda ou simplesmente querem a companhia de alguém. Prova disso são as incontáveis salas de bate-papo e comunidades virtuais na rede.
''A Internet tem sido o amigo de muitas pessoas, principalmente através dos blogs (diários virtuais)'', afirma 'Beto_RP', durante conversa da reportagem da Folha em um bate-papo virtual. Beto não acredita na comunidade virtual como uma depressão coletiva, ou como terapia para casos médicos, mas diz que a Internet acaba aproximando pessoas solitárias. ''Temos um encontro toda a semana aqui em Ribeirão Preto (SP). Em um deles cerca de 100 pessoas participaram. E vai todo o tipo de gente, desde quem usa terno durante 24 horas do dia até góticos.''
Beto garante que o primeiro contato na Internet é mais profundo que na vida real, pois o processo de conhecer outra pessoa acaba sendo mais lento. ''A tolerância é maior através do teclado. Você acaba precisando de muitas informações para conhecer as pessoas, pois só temos as palavras. Então cada um precisa se abrir mais para se identificar para o outro.''
Mas é preciso ter cuidado para não deixar o mundo virtual ser a única forma de convivência de uma pessoa em comunidade. 'Glorinha' também utiliza a Internet para fazer amizades e conversar, mas acha essencial a busca pelos relacionamentos reais e pensar nos computadores como apenas uma ferramenta para isso. ''Quando as 'pessoas na net' começam a se distanciar demais do mundo real e abusam do anonimato para criar situações e 'máscaras', elas podem acabar ficando ainda mais solitárias'', completa.
A voluntária Tania, responsável pelo atendimento online do Centro de Valorização da Vida de Santo André (SP), afirma que a diferença entre as pessoas que normalmente procuram ajuda por outros meios e pelos computadores é sutil. Através de e-mails, os internautas acabam testando os voluntários para só assim ligarem para o centro ou mesmo irem pessoalmente. ''Mas, no final das contas, os problemas são os mesmos. Essas pessoas querem carinho e compreensão, não importa se por telefone, por cartas, ou por Internet'', conclui.


