INTERNET - Brasil quer mais segurança e qualidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Eli Araujo<br>Reportagem Local 
O Comitê Gestor da Internet no Brasil quer mais segurança para a rede mundial de computadores no País. Para isso, vai atuar de maneira mais rigorosa contra a ação dos pedófilos na web e tentar reduzir a circulação dos e-mails indesejados.
A informação é do diretor do comitê, Milton Kaoru Kashiwakura, que esteve em Londrina há poucos dias para implantação do Ponto de Troca de Tráfego na UEL. A cidade é a décima do País e a primeira do interior a integrar este sistema que evita o passeio das mensagens eletrônicas trocadas pelos usuários da região.
O CGI é um órgão criado pelo Governo Federal com objetivo de disponibilizar os serviços de internet no Brasil; estabelecer estratégias para a implantação e interconexão das redes, análises e opções tecnológicas, coordenar os endereços de e-mail e o registro de nomes de domínio.
Por que há essa preocupação com o aspecto de segurança na internet?
Queremos tornar a internet mais segura e com menos lixo. Nessa iniciativa, há o movimento antispam. Temos também iniciativas conjuntas com o Ministério Público Federal e o Google, que por incentivo do CGI, estão trabalhando para coibir as ações de pedofilia na internet. Essa parceria possibilita detectar mais rapidamente esses pedófilos e assim acionar a polícia para que capture esses indivíduos.
Como é feito esse rastreamento?
Muitos desses conteúdos de pedofilia estão no Orkut, um site de relacionamento. E por conta disso, o Ministério Público Federal fez esta parceria com o Google para disponibilizar essas informações de maneira mais rápida. É um trabalho com vários atores colaborando para que se iniba a ação dos pedófilos pela internet.
E o está sendo feito para reduzir o tráfego indesejado de e-mail?
Existem projetos para se detectar de onde vem esse tráfego. Colocamos alguns equipamentos em provedores de banda larga e configuramos esses equipamentos para receber todo esses dados e assim identificá-los. O que se nota é que tem muito tráfego vindo do exterior e isso acaba gerando ações conjuntas com estes países. Estamos fazendo uma parceria com Taiwan, que origina a maior parte desses e-mails.
Existe algum cuidado também em relação ao excesso de vírus passados por e-mails?
Temos uma cartilha em nosso site, o www.nic.br. O usuário pode baixar essa cartilha para ver as recomendações de segurança de seu equipamento, evitando os spams, e saber quais são os aspectos de segurança de sua máquina para que ela não seja invadida. Temos também vídeos feitos para usuário que não detém conhecimento profundo e técnico sobre informática.
Quais são as principais recomendações?
A cartilha fala quais são os cuidados com a senha: não utilizar códigos fáceis como nome de pessoas ou sequenciais, ter o hábito de trocar essas senhas de tempos em tempos. Quanto ao spam, não abrir os e-mails de maneira que esses links possam executar um programa de maneira indesejada. Tomar cuidado e desconfiar se aquele e-mail que está sendo recebido é de uma pessoa conhecida ou que você conheça a origem, para evitar que o computador seja infectado. Usar chaves criptográficas para utilizar o acesso via rádio de maneira segura e não de maneira aberta.
O que mais poderia ser feito para melhorar a internet no Brasil?
Ainda tem muito para se fazer. Trouxemos há alguns anos uma das cópias do servidor raiz. Só para entender: caso não tivéssemos esse servidor raiz aqui e os cabos submarinos se rompessem, toda a internet pararia. Tendo uma cópia desse servidor raiz pelo menos a internet no Brasil funciona.
E como está a internet brasileira no ranking internacional?
Ainda tem muito o que evoluir, mas mesmo assim a nossa internet é reconhecida por todos. Precisamos trabalhar para que seja também de melhor qualidade e com menos spam. O país está muito mal classificado em termos de spam e queremos estar bem colocados em todos os sentidos.


