Interiorização dos investimentos
Mal refeito do estrago provocado às empresas pela crise econômica, o Paraná começa a contar, agora, o impacto da mesma crise no setor público. O Paraná e o Brasil. As exceções podem ser as capitais, onde a liquidez do comércio é sustentada pelo gasto, neste caso providencial, das estruturas governamentais. As sedes de governo quase sempre significam maior renda per capita e um poder aquisitivo sustentado em patamares que ficam acima da média.
O leitor sabe como é: os gastos públicos (com o custeio da estrutura administrativa, incluindo os salários dos servidores de escalão superior) não se abalam com crises externas. Seus recursos foram garantidos em orçamento.
Municípios maiores, porque têm boa arrecadação, também podem engrossar essas exceções. Mesmo assim também eles têm setores afetados, principalmente as sedes de indústrias de exportação. O recolhimento de impostos cai.
Mas há estrago sim. Fora das capitais o bicho pega. No Paraná, o levantamento foi feito pela reportagem desta FOLHA, com base em informações de fontes como Tesouro e Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União. Os dados revelam que a crise de fato reduziu o volume de recursos federais que chegam para o Estado.
A culpa? Ninguém pode prever uma crise - tsunami ou marolinha. Se governos não têm o poder de evitá-las, podem, ao menos, atenuar seus efeitos e os efeitos de qualquer outra adversidade, econômica (contornável, mesmo depois de instalada) ou climática, imponderável.
Como atenuar? Se a política de investimentos contemplasse de forma equânime todas as regiões, suas obras iriam amortecer o impacto das crises. Obras em andamento dão sustentação ao emprego. Aportes de recursos dentro de organogramas planejados, sustentam as atividades públicas de uma região.
O tamanho do rastro deixado pelas crises está diretamente relacionado ao nível de atividade econômica praticado na região atingida. Enfim, parece elementar e simples que os governos têm que rever as aplicações orçamentárias e descentralizar suas realizações. Afinal, não é por acaso que os municípios do interior são mais vulneráveis como mostra o levantamento da FOLHA.





