Pequenas cidades do Paraná, antes recantos de sossego, tornaram-se terrenos férteis para a bandidagem. A FOLHA mostra essa realidade hoje em reportagem de Silvana Leão. Trata-se de uma situação grave. Há uma semana, bandidos dominaram a cidade de Tunas do Paraná, que tem 6.258 habitantes e localizada na Região Metropolitana de Curitiba. Assaltaram dois bancos, deixaram feridos. Os dois únicos policiais militares que estavam em Tunas nada puderam fazer. Invasões de bandidos nos pequenos municípios têm se tornado comum. Mês passado, forasteiros assaltaram uma lotérica em Rancho Alegre (Norte). Outro fato alarmante: pequenos furtos e roubos estão se tornando comum devido à presença de usuários de drogas.
A situação é complexa, não começou da noite para o dia e reflete anos de descaso e má gestões. Dos 399 municípios do Estado, menos de 30 têm mais de 50 mil habitantes. Mesmo assim, as cidades pequenas sempre foram relegadas a segundo plano. Faltaram investimentos em educação, saneamento básico e saúde. Em relação à segurança, levantamento da FOLHA mostra que em 51% dos municípios paranaenses não há presença da Polícia Civil. Os militares também são poucos, muitas vezes apenas uma dupla por plantão.
Diante disso tudo, fica fácil para traficantes se instalarem e fazerem a festa, fisgando para o vício jovens carentes de boas oportunidades. Às quadrilhas, basta o mínimo de planejamento para ''invadir'' e praticar um grande roubo às agências bancárias, lotéricas ou outros estabelecimentos comerciais. A reportagem mostra o caso de Jardim Olinda (Noroeste), município menos populoso do Paraná e que ainda - destaque-se o ainda - guarda características de recanto de paz.
Esperamos que o alerta finalmente balize as ações do novo governo do Estado. Do contrário, breve será difícil achar ao menos um paranaense que não seja refém da violência, mesmo em Jardim Olinda.

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