Muitas cidades brasileiras não contam com médicos entre os seus moradores. Foi o que mostrou o estudo ‘’Demografia Médica - volume 2", publicado recentemente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). No Paraná, 70 municípios não contam com um morador graduado em Medicina. Mas há Estados em situações ainda piores na Região Nordeste.
O fato do município não ter um morador médico não quer dizer que o local está completamente desassistido. Em algumas vezes, os profissionais não moram ali, mas trabalham durante o dia. Porém, é comum encontrar relatos em jornais e revistas de moradores de cidades que não contam com o serviço e precisam viajar para localidades vizinhas para consultas e atendimento de emergência.
A razão é comum em todos os pequenos municípios desassistidos: faltam atrativos que incentivem os profissionais a mudar de endereço. Nem mesmo salários altos compensam a falta de estrutura de trabalho, de conforto e a distância da família. Os profissionais acabam preferindo disputar espaço nos grandes centros. Informações do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) mostram que seis em cada dez médicos paranaenses vivem nas três maiores cidades do Estado: Curitiba, Londrina e Maringá.
No ano de 2011, o Brasil formou 13,6 mil médicos. O desafio está justamente em como levar uma boa parcela desses profissionais para as periferias das grandes cidades e nos menores municípios do interior. Uma das soluções propostas pelo governo federal deve trazer resultados já este ano. Foi iniciada mais uma edição do Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica (Provab), que colocará 4.392 médicos trabalhando em 1.407 municípios que têm carência desses profissionais. O Nordeste receberá o maior número dos graduados, depois seguem as regiões Sudeste, Norte, Sul e Centro-Oeste. Os participantes receberão uma bolsa de R$ 8 mil, paga pelo Ministério da Saúde, e eles passarão por uma especialização de um ano em Saúde da Família. Aqueles que forem bem avaliados receberão bônus de 10% em provas de residência.
Mas, outra proposta do governo federal deve causar polêmica: o Brasil estuda a possibilidade de atrair médicos estrangeiros para o trabalho na área de atenção básica nas localidades menos atraentes. O assunto está sendo discutido por técnicos dos ministérios da Saúde e da Educação. Se essa for a solução, tudo indica que o caminho da interiorização dos médicos terá que passar antes por um processo de imigração.

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