A 14ª Conferência Interparlamentar entre a União Européia e a América Latina, que se realizou em Bruxelas, na semana passada, lançou uma mensagem para que nada seja adiado nas relações entre os dois continentes na primeira cúpula de chefes de Estado e de Governo, que será realizada no Rio de Janeiro, em junho próximo. Apesar da crise institucional da União Européia (UE), após a demissão da comissão executiva, ‘‘nada deve ser adiado’’, segundo os delegados europeus. ‘‘Não esqueçamos que é uma cúpula de chefes de Estado e Governo e, embora a Comissão tenha uma contribuição, não deve ocorrer nenhum atraso na melhoria e impulso das relações entre os dois blocos’’, disse o deputado da União Européia José Antonio Salafranca.
A Conferência aprovou petições ‘ambiciosas’ para a cúpula, entre as quais a conclusão o mais breve possível e, no máximo, até 31 de dezembro, das negociações com o México, o Mercosul e o Chile para a criação de áreas de livre comércio entre estes países e a União Européia. A conferência pediu ainda a aplicação das decisões tomadas pela UE para diminuir os efeitos da dívida dos países centro-americanos afetados pelo furacão Mitch e ‘‘aumentar os recursos para a América Latina do Banco de Investimentos’’.
Realizada entre terça-feira e quarta-feira da semana passada, a conferência interparlamentar reivindicou à cúpula UE-América Latina que decida manter encontros ‘‘de forma periódica’’ e fixou como suas prioridades o desenvolvimento da cooperação nas áreas de educação e cultura (a abertura de programas de intercâmbio europeus a jovens latino-americanos) e o incremento do diálogo político.
O senador mexicano Fernando Solana insistiu em que a cúpula do Rio não tem precedentes, pois é a primeira a ser realizada ao nível de presidentes. Programada para se realizar nos dias 28 e 29 de junho, a cúpula do Rio será precedida por uma reunião preparatória entre os presidentes da América Latina, em maio, no México. Segundo os países participantes, a cúpula do Rio deve ‘‘elaborar um ambicioso projeto de acordo global entre a União Européia e a Comunidade Latino-Americana de Nações’’.
Neste momento em que os blocos parecem substituir as nações e em que a guerra comercial ocupa, felizmente para a civilização, o lugar das lutas armadas, o intercâmbio entre os grupos mundiais se torna cada vez mais importante. Por outro lado, a manifestada preocupação européia no sentido de não permitir que surjam obstáculos a uma integração mais rápida e maior entre Europa e América Latina dá bem a idéia da importância que se atribui, no chamado Velho Mundo, a um entendimento elevado para melhorar as relações entre os blocos. É fácil perceber que esta preocupação representa um esforço consciente no sentido de enfrentar, no próprio continente, o poderio dos Estados Unidos, que pretendem, naturalmente, manter sua posição hegemônica sobre a América Latina.
Para os latino-americanos, essa disposição européia deve ser encarada com satisfação e interesse. A guerra econômica não supõe mais áreas de controle das potências, até porque, hoje, com o desmoronamento do mundo soviético, e apesar da situação de algumas nações com poderio militar e potencial humano, só existe uma potência no mundo, os Estados Unidos. Os norte-americanos, aliás, têm sabido aproveitar essa condição. Aos outros países e blocos, entretanto, interessa sem dúvida uma união, até como meio para garantir a seus respectivos povos os benefícios de um progresso econômico sem crises ou sobressaltos.

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