No momento político mais delicado dos últimos anos na Assembleia Legislativa do Paraná - em que membros da Casa estariam envolvidos em desvio de pelo menos R$ 20 milhões - nossos deputados estaduais dão mais uma vez mostra de que não se importam com o interesse público e muito menos com a população - mesmo em ano eleitoral.
Tramita na Casa, uma Proposta de Emenda à Constituição Estadual (PEC), que proíbe a cessão de policiais civis e militares para o Ministério Público Estadual (MP). Coincidentemente, a proposta foi apresentada três dias após o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), realizar uma busca e apreensão de documentos na Assembleia. Se aprovada, a medida pode inviabilizar o trabalho do Gaeco - que é um braço do MP.
O mais curioso é o sigilo sobre quais deputados apoiam tal medida. Para tramitar, uma PEC tem que contar com a assinatura de pelo menos 18 dos 54 parlamentares. No entanto, ninguém assume a proposta e o ''sigilo'' conta com a conivência da Mesa Executiva. Prova disso é a cópia do projeto entregue ontem à imprensa: os nomes dos signatários foram retirados e nenhum integrante da Mesa deu informações.
O desespero frente às investigações do Gaeco se revela ainda na própria justificativa da PEC. Oficialmente, a PEC visa prevenir o desvio de função nas polícias Civil e Militar. Para sorte dos paranaenses, há quem aponte vício de origem: somente o Poder Executivo poderia apresentar a proposta. A prerrogativa sobre a iniciativa terá que ser analisada pela Comissão Especial que será formada por cinco membros da Casa. Caso reconhecido o vício, a proposta deve ser enterrada.
Se o entendimento for pelo prosseguimento da matéria, esta terá que passar por duas votações e contar com 3/5 dos votos. Será onde, apesar de todo sigilo, as máscaras vão cair, já que a votação é nominal e aberta. Cabe aos paranaenses e, em especial, aos eleitores, acompanharem e darem o troco nas urnas.

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