Manter o controle do serviço de água de Londrina e ser também a coletora das tarifas é de óbvio interesse da Companhia de Saneamento do Paraná, a Sanepar. Que, desde a administração do prefeito José Richa, tem contrato com a Prefeitura para gerir o serviço, que compreende obras para o fornecimento da água e coleta dos resíduos. Esse contrato venceu mas veio sendo renovado desde 2003, mediante decretos emergenciais. A disposição de continuar com esse vínculo contratual foi novamente demonstrado pela Sanepar ao antecipar para 2008 os R$ 96 milhões de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, que eram previstos para 2010. Desse montante, R$ 76 milhões serão para a rede de esgotos e R$ 20 milhões para ampliação do sistema de fornecimento de água.
Todo esse aporte, portanto, poderá ser aplicado na administração municipal de Nedson Micheleti, que é um dos signatários em eventual prorrogação de contrato. Essa verba, que virá da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Social, ainda não está liberada. Sua destinação é prevista para atender a 70 mil famílias. Pelos dados oficiais de dois anos atrás, Londrina tinha 117.000 ligações de água e cerca de 68.000 ligações de esgotos, percebendo-se que este último serviço é ainda precário, pois a cidade adota em considerável volume o sistema de fossas.
Chegar aos 100% de encanamentos de esgotos nos próximos dez anos, como prenuncia o presidente da Sanepar, Stenio Jacob, é apenas uma meta, porque até lá a cidade também terá crescido e não se sabe se as verbas públicas acompanharão a demanda. No passado o município administrava o fornecimento de água e a instalação da infra-estrutura de esgotos – inclusive com uma usina de tratamento (obra do prefeito Milton Menezes) – por via do Serviço de Água e Saneamento.
A água era captada do ribeirão Cafezal, ainda ativado, e depois passou a ser extraída do rio Tibagi, por meio da estação captadora atual, implantada pelo Governo estadual na gestão de Álvaro Dias, por idéia do prefeito Dalton Paranaguá. O propósito era afastar Londrina e as cidades vizinhas de um eventual risco de faltar água. Por via desse manancial, aparentemente inegostável, o sistema vem funcionando bem.
O serviço passou para o domínio da Sanepar, inclusive por uma certa pressão, pois vivia-se o regime da ditadura, com forte influência também na política e na gestão dos Estados. O argumento era de que, através do Estado, seria mais fácil a obtenção de recursos para ampliação do serviço. Na verdade, imperava uma política de controle dos serviços estratégicos.
A Sanepar agora tem pressa em assinar novo contrato, enquanto as autoridades municipais não avaliam o que é mais conveniente para o município: outorgar a continuidade da concessão à Sanepar ou pensar num retorno ao sistema de gestão municipal do serviço. Nesses anos a companhia fez investimentos mas, na contrapartida, recebeu as tarifas. Londrina e a região entraram com a água (a matéria-prima principal) e a Sanepar administrou a captação e a distribuição, assumindo os custos das instalações pertinentes. Não há um cálculo para saber-se de que lado pende a balança numa avaliação de custo e benefício de ambas as partes.

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