INTELIGÊNCIA MULTIFOCAL - Como ser líder de si mesmo?
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de junho de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Como administrar as emoções, desacelerar a correria do dia-a-dia, aprender a relaxar e curtir o tempo de lazer? As perguntas foram respondidas pelo psiquiatra, pesquisador e escritor Augusto Cury, que esteve em Maringá na semana passada para a palestra Como ser líder de si mesmo.
Com livros publicados em mais de 40 países, conferências em congressos nacionais e internacionais, ele falou com exclusividade à FOLHA sobre a Teoria da Inteligência Multifocal e suas várias aplicações.
O que é a Teoria da Inteligência Multifocal?
Trata dos quatro grandes processos de construção intelectual: o processo de transformação da mente humana, o processo de produção de pensamentos, o processo de organização da memória e da história intrapsíquica e o processo de resgate da liderança do eu como líder do teatro da mente humana.
Como essa teoria pode ser aplicada?
No processo educacional, ela abre as janelas para mostrar que a educação clássica está num processo de falência. Outra aplicação é a arte da dúvida, porque o conhecimento transmitido no microcosmo da sala de aula tem sido pronto, elaborado, fabricado. Na área empresarial, as aplicações são diversas também. A inteligência multifocal estimula, instiga e lapida as funções mais importantes da inteligência para que os trabalhadores de qualquer área e de qualquer grau possam usar o máximo de potencial intelectual para conseguir fazer a diferença. No campo psicoterapêutico as aplicações são muitas também, como na Síndrome do Pânico.
É por isso que o senhor fala que é tão difícil gerir as emoções?
Exatamente. Para proteger as emoções, existem ferramentas fundamentais que as crianças deveriam ser ensinadas desde a mais tenra infância. Número um: quem quer proteger a emoção deve saber que os íntimos são aqueles que mais podem invadir nossa psique e mais podem nos frustrar, decepcionar, por isso devemos aprender a nos doar sem esperar excessivamente um retorno. Número dois: nunca podemos exigir o que as pessoas não podem dar. A melhor maneira de corrigir uma pessoa é esperar a emoção da temperatura baixar, diminuir o clima de tensão para que num segundo momento a correção possa ser estabelecida e antes de corrigir devemos elogiar a pessoa que falhou. Quando você elogia, conquista o território da emoção e a crítica vem em segundo lugar.
Quais os tipos de pensamentos que são produzidos e quais as funções?
Existem três grandes tipos de pensamento. O primeiro é inconsciente, chamado de pensamento essencial. Nós não temos a percepção lúcida deles, mas eles estão na base de todas as imagens mentais, de todos os diálogos, de toda escrita. Desse pensamento essencial, nós produzimos dois grandes tipos de pensamentos conscientes. O primeiro é o dialético, que as pessoas usam quando falam com seus alunos, com seus filhos. Ele é formatado, é lógico, lúcido e mimetiza ou copia os símbolos sonoros, nos casos das pessas surdas os sinais visuais. O pensamento mais complexo é o antidialético, anticódigo, ou seja, o pensamento imaginário. Os grandes pensadores conseguiram produzir idéias brilhantes porque conseguiram usar o pensamento antidialético.
Como é possível ser líder de si mesmo?
A questão toda é que aprendemos a dirigir carros, empresas, orçamento familiar, cidade, uma nação mas não aprendemos a dirigir a mais complexa das empresas, a empresa psíquica. Muitos estão em processo de falência e não percebem que estão desenvolvendo sintomas psicossomáticos, como dor de cabeça, dores musculares, gastrite, queda de cabelo. Esses sintomas são o grito surdo de milhões de células pedindo para que nós possamos mudar nosso estilo de vida, clamando para que possamos dirigir nossa psique e possamos relaxar mais, contemplar mais o belo. Outro ponto fundamental é gerenciar pensamento.
Como foi a experiência de ser ateu e deixar de ser?
Eu fui um dos maiores ateus que já pisou nessa terra. Para mim, Deus era fruto do espetáculo dos pensamentos do mundo das idéias, uma construção fantástica desse cérebro que tem mais de 100 bilhões de células. Nesse sentido, fui um ateu científico, ao contrário desses outros filósofos, que foram antireligiosos. Eu usei a Teoria da Inteligência Multifocal para estudar como os grandes pensadores brilharam no teatro social, como produziam idéias. Eu fui estudar esses grandes pensadores, Freud, Einstein, até que cheguei em Jesus Cristo. Eu estudei suas quatro biografias, que são os quatro evangelhos em várias versões. E a medida que estudava, fiquei chocado, perplexo, porque percebi que esse homem não cabe no imaginário humano. Eu me tornei um cristão, mas um cristão sem fronteira. Não defendo nenhuma religião.


