Com o crescimento da web e o uso massivo de tecnologias da informação, a quantidade de dados gerados vem crescendo de forma exponencial. Acredita-se que esse ritmo só tende a aumentar: estudos apontam que o volume de dados disponíveis, 166 exabytes em 2006, deve chegar a 40.000 exabytes (40 zettabytes ou 40 trilhões de gigabytes) em 2020.
No ambiente de gestão pública, a disponibilidade de dados aliada a tecnologias como Inteligência Artificial e Analytics, por exemplo, pode contribuir muito para melhorar a eficiência da gestão e a qualidade das políticas públicas, não apenas melhorando o atendimento ao cidadão e serviços dos governos, como também promovendo a disponibilização de dados que poderiam fomentar a inovação e promover o crescimento econômico através de informações ofertadas de forma massiva, permanente e confiável, a ser utilizada para a criação de novos negócios e desenvolvimento dos atuais.
Tudo isso tem especial importância para nosso País, cujo povo é extremamente insatisfeito com os serviços públicos que recebe em troca dos impostos que paga; em pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, realizada em São Paulo e Rio de Janeiro, os serviços públicos foram mal avaliados, especialmente os ligados à saúde, segurança, educação e transportes.
Os brasileiros passam muitas horas em filas. Paga-se impostos altos, sem a contrapartida do adequado atendimento em hospitais, do transporte público adequado, educação com qualidade; os altos índices de violência persistem.
Assim, o atual desafio da gestão pública é capturar e analisar dados para estruturar um planejamento mais efetivo que resulte em melhor atendimento ao cidadão. Processar exabytes de dados e transformá-los em indicadores que lubrifiquem e acelerem a engrenagem da máquina pública.
Para melhorar a qualidade de serviço público, os governantes deverão estabelecer (e implementar) políticas públicas claras para investimentos em tecnologia, especialmente em setores que auxiliem desburocratização, reduzam custos e melhorem a produtividade, tudo a partir de melhores processos administrativos e melhor governança.
Um estudo do Ash Center for Democratic Governance da Harvard Kennedy School indica que os benefícios mais óbvios do uso da IA na gestão pública são aqueles que podem "reduzir os encargos administrativos, ajudar a resolver problemas de alocação de recursos e realizar tarefas significativamente complexas".
Globalmente, os governos estão adotando a IA e colocando em operação desde serviços simples como os chatbots que ajudam a esclarecer dúvidas mais frequentes dos cidadãos e liberando funcionários para atender às demandas mais complexas, até iniciativas mais sofisticadas, como colocar veículos autônomos nas ruas para o transporte público, evitar fraudes na reivindicação de benefícios e obras públicas, identificar riscos de segurança, problemas de tráfego etc.
A mesma pesquisa aponta o Canadá como o país líder no desenvolvimento da IA na área pública, seguido da China, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. O estudo de Harvard também aponta estratégias que devem ser adotadas na implementação de projetos de IA por gestores públicos, enfatizando a participação do cidadão, o que em nosso caso, infelizmente, não é uma tradição.

VIVALDO JOSÉ BRETERNITZ, professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

ANTÔNIO CÉSAR GALHARDI, é professor do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza.

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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