Inteligência Artificial a serviço da inteligência humana
Ferramenta pode elevar a qualidade dos serviços e permitir que profissionais dediquem mais tempo a tarefas de maior complexidade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Ferramenta pode elevar a qualidade dos serviços e permitir que profissionais dediquem mais tempo a tarefas de maior complexidade
A incorporação da IA (inteligência Artificial) à rotina das empresas deixou de ser uma perspectiva distante para se tornar uma realidade que transforma processos, redefine funções e impõe novos desafios ao mercado de trabalho. A FOLHA mostrou recentemente exemplos de segmentos, como advocacia, contabilidade e indústria gráfica, que estão conseguindo ampliar a produtividade com essa tecnologia. Reduzindo tarefas repetitivas, as empresas liberaram profissionais para atividades que exigem análise, criatividade, estratégia e relacionamento humano.
O debate está em justamente aproveitar esses ganhos sem perder de vista a responsabilidade que acompanha toda inovação. De acordo com reportagem publicada na quinta-feira (29), um escritório de advocacia usou uma ferramenta de IA no seu processo de trabalho e conseguiu, com isso, liberar para o desempenho de outras atividades dois dos três advogados que antes ocupavam seu tempo integralmente com a elaboração de petições iniciais, documentos nos quais os advogados apresentam ao juiz os fatos do caso, os argumentos jurídicos e os pedidos do cliente.
Em uma gráfica, a reportagem apurou que a IA já era usada em seus processos, mas agora a presença da ferramenta passou a ser usada também em gerenciamento de produção, marketing, programação, dashboards gerenciais, vendas e e-commerce.
A reportagem mostrou que são vários os benefícios, mas eles não podem ser avaliados apenas pela velocidade de execução ou pela redução de custos. O uso da IA pode elevar a qualidade dos serviços, ampliar a capacidade de atendimento e permitir que profissionais dediquem mais tempo a tarefas de maior complexidade.
A transformação também suscita preocupações legítimas em relação ao emprego. Se a automação reduz a necessidade de mão de obra em determinadas atividades, é preciso considerar como os trabalhadores serão preparados para assumir novas funções. A substituição de tarefas repetitivas por sistemas inteligentes pode elevar a demanda por profissionais mais qualificados, mas essa transição não acontece automaticamente nem distribui seus benefícios de maneira igualitária. Empresas, instituições de ensino e poder público têm responsabilidades na formação e na atualização dos trabalhadores.
Outro ponto fundamental é a supervisão humana. Sistemas de IA podem produzir erros, reproduzir vieses e apresentar respostas convincentes sem que sejam necessariamente corretas. Por isso, a automação não elimina a necessidade de conhecimento técnico, julgamento profissional e responsabilidade sobre as decisões. Ao contrário, torna essas competências ainda mais importantes.
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Adriana De Cunto
Jornalista


