A consolidação da recém-criada região metropolitana de Londrina - que inclui Cambé, Rolândia, Ibiporã, Jataizinho, Sertanópolis, Bela Vista do Paraíso e Tamarana - vai ser dificultada pela distância entre os municípios e pelas particularidades locais. Ao invés de projetos conjuntos de desenvolvimento, o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), acredita que serão implantadas ações segmentadas, de acordo com o perfil de cada cidade. Em Londrina, o foco será o projeto Arco Norte, que prevê expansão imobiliária para a zona sul.

Qual sua opinião sobre a regulamentação da região metropolitana?
Da forma que foi aprovada, a lei trouxe uma gama de cidades que não têm relação direta (entre si). É diferente da região metropolitana de Curitiba, que já está bem conurbada. Na nossa região, não é assim, a lei englobou um monte de cidades, algumas longe das outras, e a cada hora aparecem projetos novos para acrescentar outras cidades.

O senhor acha que houve erro?
Isso aconteceu em todas as regiões metropolitanas do interior, cada deputado quer incluir uma cidade a mais, considerando que traria benefícios a mais. Isso acontece dentro da Assembléia Legislativa.

Esse ''inchaço'' pode trazer lentidão?
Se você quiser fazer políticas que englobem todas as cidades, não vai ser possível. A coordenação da região vai ter que englobar cada cidade de acordo com os temas, e não procurar apenas situações em que todas as cidades estejam inseridas. E priorizar demandas que são mais relevantes, com importância estratégica para o desenvolvimento.

Como Londrina vai se posicionar nesse processo?
Por causa da disparidade de situações, a prefeitura está focando o projeto Arco Norte, e não a região metropolitana em si. O Arco Norte prevê a integração de Londrina com Cambé, Ibiporã, Rolândia, e cidades que não estão na região metropolitana, como Arapongas e Apucarana. Estas cidades já estão se conurbando e demandam principalmente duas políticas: cuidado ambiental e acessos viários. Os rios que chegam a Londrina nascem na região de Apucarana, e é importante a preservação integrada porque eles passam em todos os municípios do Arco Norte.

O Arco Norte está mais maduro que a região metropolitana?
Sem dúvida. Com o Arco Norte já avançamos numa pré-pactuação com os municípios. Os primeiros passos desse projeto estão em cidades dentro da região metropolitana. Trata-se de duas obras viárias: uma é o asfaltamento da estrada dos Pioneiros, ligando Ibiporã a Londrina, e a outra o asfaltamento da estrada do Caramuru, que liga Rolândia e Cambé até Londrina pela região da Aviação Velha (zona sul). Isso abriria novos campos para investimentos imobiliários, empreendimentos turísticos, gastronomia, condomínios e serviços. Com ajuda do governo do Estado, vamos dar o primeiro passo do projeto ainda neste ano, que é o asfaltamento dos 8km entre Londrina e Ibiporã. É nesta via que está sendo instalado o campus da Universidade Tecnológica Federal (UTF).

Não há risco do Arco Norte atropelar a região metropolitana, ou vice-versa?
Tomara que um atropele o outro, é sinal que estão avançando (risos). O importante é que os municípios tenham projetos comuns e contem com a participação do Estado.

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