Uma proposta do governo para resolver um grave problema da saúde pública, a falta de profissionais, vem gerando um grande debate nacional. Os dados mais recentes da demografia médica, divulgados no primeiro semestre deste ano, mostram que o País tem dois médicos para cada mil habitantes. A média mundial é de 1,4.

O Ministério da Saúde apresenta estudo um pouco diferente, de 1,8 médico para cada mil brasileiros. E a intenção do governo é chegar a 2,5 médicos para cada mil pessoas, índice similar ao da Inglaterra (2,7).

Para suprir esse deficit, o governo federal quer trazer estrangeiros para atuar em localidades distantes e periféricos, dispensando até mesmo a revalidação do diploma. Os interessados teriam apenas que assinar um contrato temporário de trabalho, válido por três anos. O salário proposto é de R$ 10 mil.

"Há um número insuficiente de médicos no País. Além de ser insuficiente, é acompanhado pela má distribuição de profissionais", argumenta o diretor de Gestão da Educação do Ministério da Saúde, Felipe Proença.

Essas justificativas são alvo de críticas de representantes de conselhos, associações, sindicatos e sociedades médicas. Nos últimos dias, milhares de profissionais foram às ruas para protestar contra a iminente importação de mão de obra estrangeira. A categoria não descarta, inclusive, a possibilidade de promover um boicote maciço contra o Sistema Único de Saúde (SUS).

"Nos últimos anos foram criados 54 mil postos de trabalho a mais do que o número de egressos do curso de Medicina. Vagas que são oferecidas internamente, mas que não são preenchidas por médicos do País", revela.

Segundo Proença, o ministério pretende iniciar ainda neste semestre a contratação de 3,8 mil profissionais da Argentina, Cuba, Portugal e Espanha para preencher essas vagas. "De maneira nenhuma estamos inventando um programa. Esse modelo é adotado em diversos países. A Inglaterra, por exemplo, está contratando agora mil profissionais."

Leia a entrevista completa do diretor de Gestão da Educação do Ministério da Saúde, Felipe Proença para o repórter Danilo Marconi em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.

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