Instituições privadas de ensino superior e desenvolvimento
O Brasil poderia prescindir da oferta de ensino superior pela iniciativa privada? Qual seria o impacto em seu desenvolvimento? E na Região Sul? Os dados são da sinopse do MEC. Se existisse apenas o ensino superior público, ele seria elitista, com muito baixa capacidade de inclusão social. Os indicadores econômicos do País e da Região Sul seriam péssimos.
Em 2012, tínhamos 2.416 instituições de ensino superior (IES) com 7.037.688 matrículas. Sem IES privadas, ficaríamos restritos a apenas 304 IES públicas 96 nas capitais e 208 no interior , perdendo 87% da oferta (2.112 IES, 750 nas capitais e 1.362 no interior). Sem as matrículas das IES privadas, o Brasil perderia 73% das suas matrículas no ensino superior, com redução de 84% nas vagas ofertadas, de 3.324.407 para apenas 539.648 privilegiados. Na Região Sul, 360 das 409 IES são privadas. Sem elas a região perderia 802.084 alunos (69% das matrículas) e 88% de suas instituições de ensino superior.
Em 2012, se não existissem IES privadas, mais 5.140.312 brasileiros seriam limitados a emprego e renda acessíveis ao ensino médio. Perderiam empregos 212.394 professores e 205.470 funcionários. Impactando o PIB, não seriam realizados muitos bilhões em investimentos em bibliotecas, laboratórios e salas de aulas nem em gastos indiretos com alimentação, transporte e material escolar. Prefeituras deixariam de arrecadar bilhões em ISS e IPTU. A União e a Região Sul teriam perdas imensas de IR, ICMS, INSS e FGTS. Salários muito menores para milhões de brasileiros, como afetariam o comércio e a indústria nacional e regional?
As IES privadas nada custam ao Estado nem à sociedade. Seus alunos pagam em média R$ 6 mil ano. O custo anual das IES públicas supera R$ 25 bilhões, cerca de R$ 14 mil em média por aluno/ano, mantidos por tributos pagos pela sociedade.
No Brasil, 13% dos trabalhadores possuem curso superior completo: no Japão, 45%. Países desenvolvidos têm três vezes mais jovens entre 18/24 anos em cursos superiores do que o Brasil.
Sem as IES privadas, permitiríamos formação superior a apenas 5% de nossos jovens, entre os piores indicadores mundiais! Que país teríamos construído? Que níveis de desenvolvimento socioeconômico teríamos na Região Sul do Brasil? E o futuro? Importaríamos administradores, professores, médicos, engenheiros, fisioterapeutas, enfermeiros...? E o PNE que previa 10 milhões de matrículas para 2010? O MEC assumiria custo anual de 10 milhões de matrículas x R$ 14 mil ano? Criaria mais 2.081 campi por todo o Brasil? E doutores para este projeto, exigência do Conceito Preliminar de Curso?
As IES privadas são imprescindíveis ao Brasil e ao Sul desenvolvido que queremos construir, com oportunidades para todos, em um mundo aceleradamente competitivo. Estas IES já formaram muitos milhões de brasileiros notáveis e merecem reconhecimento público enquanto se qualificam para a nova ordem de mudanças, em que é preciso ser outro a cada dia, fazer sempre mais e fazer sempre melhor.
RUY CHAVES é diretor de Integração do Grupo Estácio em Curitiba
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