A exacerbação dos regimes populistas, centrados na figura de um mandatário forte, levou o mundo à Segunda Guerra. Os mandatários daquele momento inflavam o sentimento nacionalista ou regionalista dos povos. Nos países socialistas/comunistas, logo após a Guerra, viu-se um avanço das ditaduras, pois a forte intervenção do Estado é o que caracterizava estes regimes.
Foi assim na Iugoslávia, na Romênia, na Tchecoslováquia, além dos outros países da Cortina de Ferro. Acima destes, pairava a maior ditadura de todas, a da União Soviética, comandada por sucessivos ditadores, finalizando com Gorbachev que concedeu transparência ao sistema. Infelizmente, sobras deste desastroso regime ainda sobrevivem em pontos isolados do mundo, como a Coréia do Norte, Cuba e outros recantos.
Na América Latina não foi diferente. As ditaduras militares nacionalistas se espalharam pelo Sul. A forma de governar dos militares, em especial no Brasil, foi a do nacionalismo. Intervenção estatal na economia, na vida dos indivíduos. Estávamos longe, tanto da liberdade econômica, quanto das liberdades individuais. Era o ‘‘Estado forte’’. Quem governava era a direita.
Como resultado, aconteceu um despreparo. Hoje, quando o Brasil, aos poucos, abre suas portas comerciais para o mundo, vê suas empresas privadas serem vendidas. Isso é resultado de uma política paternalista, que não incentivou o liberalismo internamente, antes de abrir o Brasil ao mercado internacional.
Com o fim dos regimes autoritários na América Latina, foi devolvida a liberdade individual e, em certo grau, a econômica. Hoje, a esquerda procura maior intervenção estatal na economia, propagando o fim do ‘‘neoliberalismo’’ (que se formos estudar a fundo, de liberal, tem muito pouco). Já os liberais procuram ampliar o leque de liberdades, estendendo-o de forma plena ao setor econômico.
Infelizmente, parece que os países do Sul da América não estão sabendo aproveitar esse grande sopro de liberdade. Mais uma vez, presidentes autoritários estão chegando e prolongando-se perigosamente no poder. Hugo Chávez foi eleito, porém, reescreveu a Constituição da Venezuela e incentivou a dissolução da Suprema Corte. Andrés Pastrana, presidente da Colômbia, fala em dissolução do Congresso. O Paraguai vive sob a sombra do General Lino Oviedo, constantemente abalando a democracia do país. Alberto Fujimori, depois de reformar algumas vezes a Constituição do Peru, chega a um terceiro mandato, em eleições duvidosas. Depois de um duplo mandato de Menem, ninguém se atreve a prever o futuro da Argentina com De La Rúa, em face de todos os problemas que enfrenta.
Paira, perigosamente, na América Latina, o fantasma dos nacionalismos, populismos e ‘‘mandatários fortes’’ que tão mal fizeram ao mundo no passado. Será que o povo, descontente com a corrupção e acuado pela insegurança, está disposto a abrir mão de suas liberdades, em troca de um poder autoritário que lhes cause a impressão de maior segurança? Ou será que a experiência do passado nos ensinou que autoritarismo, intervenção estatal (seja pessoal ou econômica), e centralização total do poder em um mandatário, com poder discricionário, só levou o mundo ao atraso e às guerras?
Estas são perguntas que devem ser respondidas antes de se votar, agora ou em 2002. Resta ao eleitor decidir o futuro do Brasil, enquanto ainda temos democracia, pois se os sopros de instabilidade que rodeiam a América Latina chegarem por aqui, até isto podemos perder.
- MÁRCIO C. COIMBRA é advogado em Porto Alegre
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