Insinuações descabidas
O dólar volta a ocupar espaço nobre das páginas dos jornais. Ontem, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, admitiu que o País enfrenta uma crise de confiança, conforme reportagem que o leitor pode conferir nas páginas do caderno Folha Economia, hoje.
Atentem que, apesar de não ter citado o nome de Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa o segundo turno com o candidato do governo, José Serra, Armínio joga não só a culpa dessa crise de confiança, mas também a de uma solução, ao petista. Dependeria de ações de Lula, deixou entender o presidente do Banco Central, uma saída para a crise.
Equivoca-se, como já dissemos neste espaço em edições anteriores. Rebaixa-se, inclusive, com um posicionamento eticamente duvidável: ''Paira no ar um clima de incerteza, de que está tudo errado, de que tem que mudar tudo, o que gera até um certo complexo de inferioridade no cidadão'', afirmou.
Lula, bem sabe Fraga, ainda é candidato. E, neste momento, qualquer mobilização, inclusive a possível antecipação dos nomes que comporão sua equipe econômica, criará impactos. FHC, também sabe Fraga, ainda é o presidente. Acabar com a especulação que leva o dólar às alturas, portanto, é papel de sua equipe econômica.
Então, se algo está errado, fazendo pairar no ar um clima de incerteza, esse algo a que Fraga se refere está mais perto do que ele imagina. Não é Lula o causador da incerteza.
Walter Ogama





