Primeiro, esse dramático caso da professora que foi arrebatada por um estuprador armado, em rua de grande movimento de um bairro de Londrina, e violentada. Depois, a queixa de moradores da periferia, da zona rural e de cidades menores de que a bandidagem deixou os centros maiores e passou a agir nesses lugares mais indefesos. O episódio que abalou a vida dessa mulher e de sua família tem gerado protestos, como manifestações públicas dos moradores do local contra o ato da polícia de soltar o criminoso depois de identificado e preso.
  Argumentando com os termos da lei, a alegação policial é que não houve flagrante, mesmo sabendo-se que esse delinqüente já cometeu vários ataques do gênero. Um criminalista ouvido pela FOLHA, o advogado Mateus Vergara, tem outra interpretação e declara que a polícia poderia ter decretado a prisão preventiva ou a prisão temporária, no mínimo para apuração mais detalhada de provas, até porque o marginal foi reconhecido pelas vítimas. O entendimento policial é que um flagrante ocorre quando a pessoa é surpreendida cometendo o crime; quando, após o delito, é flagrada com instrumentos que denotam que é a autora; e quando há perseguição policial. O inquérito foi aberto e a prisão preventiva pode ser solicitada a qualquer momento - declara o delegado-chefe da 10ª Sub-Divisão Policial, Sérgio Barrozo. Um caso delicado, porque esse estuprador continua solto e oferecendo perigo, e com o risco - conforme ameaça de pessoas revoltadas do bairro - de ele mesmo ser linchado. Se os organismos de segurança seguem interpretações da lei, a opinião pública faz cobrança e é capaz de atos extremos.
  E enquanto esses fatos acontecem, cidadãos se manifestam (inclusive pela seção de opinião dos leitores deste Jornal), demonstrando que os delinqüentes deixaram o centro da cidade, mais policiado, e passaram a agir na periferia, na zona rural e nas cidades menores, que são menos guarnecidas. Os registros atestam isso, e um novo desafio está lançado e precisa receber mais atenção da Secretaria de Segurança. Porque o problema não é só de Londrina mas estadual. Não se deseja um estado policial arbitrário, mas é preciso endurecer com a marginalidade. Se os recursos humanos e técnicos não são suficientes, será preciso investir mais, economizando em outros setores onde os gastos são sabidamente abusivos.

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