Insegurança jurídica no Paraná
Motivo de inquietação no seio da Justiça, um dos assuntos mais intrigantes é o não cumprimento de ações judiciais e o rastro de consequências que essa desobediência provoca. Reiteradamente esta FOLHA tem afirmado que ordens de juízes devem ser cumpridas. São lei e constituem pressupostos básicos da democracia e da paz.
As instituições e a sociedade precisam respeitar, fazer respeitar e acreditar na Justiça, sob pena de a nação sofrer uma convulsão social e mergulhar no caos. O Brasil já tem uma predisposição grave que é a não obediência às leis.
E a própria Justiça tem que fazer-se respeitar.
O presidente da Federação da Agricultura do Paraná, Agide Meneguette, usou a expressão insegurança jurídica para definir o que se passa no campo, onde as famílias precisam de tranquilidade para trabalhar e produzir alimentos, que é o que sabem fazer - e o fazem muito bem, principalmente os paranaenses. Basta analisar a tecnologia que usam, a produtividade e a qualidade do que colhem. Produzem bem, pagam seus impostos e geram empregos. Distribuem riquezas, portanto. E são eficientes.
Cauteloso com as palavras, pouco afeito à mídia, o presidente da Faep, porém, não relutou em dar entrevista e manifestar a preocupação do setor com as investidas contra os produtores. O assunto eram as terras pleiteadas por comunidades quilombolas, mas poderiam ser comunidades indígenas ou outros movimentos.
Eu vejo esta situação muito preocupado. Ela dissemina intranquilidade no meio rural e até representa risco ao direito de propriedade no Brasil. Há casos de pessoas que venderam suas propriedades há 50 ou 70 anos e agora estão reivindicando....
No caso do Paraná - disse Ágide - houve titulação do Estado e da União mas, de repente, isto não vale nada? - questiona.
Para o presidente da Faep, o direito de propriedade no Brasil está relativizado. Finalmente uma observação fora da questão legal. A desigualdado social no Brasil é brutal e não se resolve dando terra para quilombolas. A situação é mais ampla.





