Insegurança global - Editorial
Insegurança global
A falta de segurança constitui atualmente o maior desafio de praticamente todas as nações civilizadas. A explosão de violência observada em Londrina, no começo do mês, que provocou natural reação popular e a exigência de medidas mais objetivas, representa uma face do problema que é comum no Paraná, no Brasil e no mundo. O fato de se saber que Estados mais desenvolvidos do país ou países mais desenvolvidos do mundo também se encontram em precária situação em face do crescimento do crime não serve como consolo, mas evidencia uma realidade que salta aos olhos, relativa ao aumento da criminalidade e à necessidade imperiosa de uma mobilização mundial no sentido de enfrentar este que é, sem dúvida, o maior desafio da chamada civilização humana. A criminalidade, que ganha contornos globais, a violência decorrente dela, os grandes problemas sociais e a subversão de valores que assola a sociedade são desafios que de há muito deveriam ter merecido uma atenção maior para que se projetassem medidas mais profundas e sérias a fim de enfrentar adequadamente a situação.
O quadro geral que se descortina é assustador. No Paraná, como no Brasil, a situação é tenebrosa. Em São Paulo, as chacinas se repetem com uma incrível regularidade. No Rio, os cartéis de droga dominam os morros e avançam pela cidade. A tal ponto chegou a situação que o prefeito carioca pediu de novo a presença do Exército nas ruas, o que foi rejeitado pelo presidente da República. Já se tentou isto uma vez e não funcionou: as Forças Armadas não têm a função de polícia, não estão preparadas para isto.
Informações procedentes de Roma e Paris na semana passada indicavam a mesma preocupação. Na Itália, diante de uma incessante série de atos criminosos e da revolta da opinião pública, o governo adotou linha dura em questões de segurança. Numerosos casos registrados nos últimos dias reativaram o debate sobre os meios para lutar contra a criminalidade, a maior preocupação dos italianos, de acordo com as últimas pesquisas. Temas como a lentidão da Justiça e o mau funcionamento do sistema de penas se converteram há alguns dias em argumento central dos jornais. A esquerda italiana defende a linha dura e apóia a opinião do presidente da Câmara de Deputados, Luciano Violante, que considera a segurança social como uma condição essencial para a Justiça e a democracia. Já em Paris, anuncia-se que o crescimento da violência urbana é significativo e passou de 2.027 incidentes registrados em 1994 para 8.581 em 1998. O chefe de polícia, Philippe Massoni, alerta que se observa um aumento dos roubos, assim como agressões, ameaças e chantagens. E a participação de menores na delinquência aumenta regularmente de um ano para outro, conforme aquela autoridade.
Em comum todas estas questões mostram a perplexidade diante de uma violência crescente e a aparente falta de alternativas para reverter a situação. Vistas separadamente, as notícias podem dar a impressão de casos isolados: há o problema em Londrina, em São Paulo, no Rio, em Paris, em algumas cidades da Itália. Todavia, quando se unem as coisas, percebe-se o mesmo desafio e, de modo preocupante, a mesma falta de alternativas. Na Itália reclama-se da morosidade da Justiça, o que é também uma queixa brasileira. Na França, percebe-se o crescimento da criminalidade dentre os menores, ocorrência igual à que enfrentamos. É um desafio igual a exigir discernimento e disposição para que a sociedade civilizada restaure as condições de segurança, vitais para o desenvolvimento da própria cidadania.





