Londrina se assusta com a escalada da violência. Disparos por gangues de traficantes amedrontam cidadãos, que se vêem na linha de tiro dos bandidos. Mais que em qualquer tempo, assaltos a residências convertem moradores em reféns em suas próprias casas. Usuários de ônibus viajam em sobressalto até o trabalho e, no fim do dia, de volta para casa. Nunca se sabe se o passageiro ao lado vai se revelar um assaltante em algum trecho do percurso. Não é paranóia coletiva: aconteceu mais de 220 vezes somente este ano.
Em entrevista à Folha, na edição de ontem, o tenente-coronel Rubens Guimarães, que comanda o 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, disse que o problema não é grave. No caso dos disparos ocorridos na semana passada no Jardim Nossa Senhora da Paz, ele afirmou que ''o caso teve dimensão maior pela imprensa do que a coisa real''. Para o comandante, ''o que está acontecendo são apenas disparos entre gangues rivais da Rua Pantanal e do Jardim Nossa Senhora da Paz''.
O centro comunitário que atende 30 crianças menores de 10 anos no bairro teve que fechar as portas e suspender as atividades, por falta de segurança. Funcionários da indústria Bratac, nesta mesma região, revelaram que têm medo de sair do trabalho, ao final do dia, e serem atingidos por balas perdidas. Moradores do Nossa Senhora da Paz evitam falar com a imprensa. Repórteres da Folha perceberam 'in loco' a dimensão da insegurança. Com medo de represálias de traficantes, a maioria se nega a informar até mesmo a localização de ruas do bairro e dá as costas para a reportagem quando ela se aproxima.
As guerras de gangues no Nossa Senhora da Paz, até agora apenas disparos entre bandos rivais e não 'tiroteios', como diz o comandante, só não tiveram consequência maior porque felizmente nenhuma bala atingiu um morador do bairro, uma criança do centro comunitário ou um trabalhador da Bratac. Talvez resida aí apenas a diferença entre a dimensão que a Polícia atribui ao problema e a importância que a imprensa confere ao assunto. Tomara que não seja preciso que haja uma morte para evidenciar o que a mídia tem estampado diariamente, como um grito de alerta, no noticiário impresso, de TV e rádio.
Ruth Meira

mockup