Insegurança dos agricultores brasileiros na Bolívia
A Bolívia sempre foi um país de conflitos, e isto mantem o povo em estado de pobreza, porque no geral regido por maus governantes, e na contrapartida estes vão subindo ao poder porque o povo perdeu a força de luta em face de suas frágeis condições. Uma corrente viciosa que só encontra resistência na região de Santa Cruz de la Sierra, que é mais rica e reduto de opositores do governo e onde estão milhares de brasileiros plantando e produzindo, e mais uma vasta legião de jovens do Brasil estudando medicina, pelo baixo custo do curso.
Este Jornal enviou para aquela zona limítrofe o reporter Wilhan Santin, que mostrou como o ideal nacionalista impera por lá, principalmente depois de Evo Morales. Por isso não estão seguras as propriedades dos agricultores brasileiros que estão lá estes ocupando grandes extensões de terras e responsáveis pela subida dos 170 mil hectares cultivados do passado pelos mais de 1 milhão hoje. Com esse avanço chegaram àquele país também as máquinas, as sementes certificadas, a tecnologia tudo brasileiro.
Se o Brasil foi, em tempos de esquerdismo mais exacerbado, um combatente do capital estrangeiro, agora sente um pouco do sabor da insegurança por ocupar e cultivar terras bolivianas ganhando dinheiro mas também enriquecendo a Bolívia. Ali os empreendedores brasileiros plantam soja e outras culturas e criam gado, ocupando-se tambem de negócios diversos. Artigo da nova Constituição boliviana diz que a terra tem função social, por isso teme-se que a legislação abra brechas para o governo tomar as terras de quem quiser. Mas se a função social é o destino natural da terra e de todos os seus bens, em qualquer parte do planeta, o que os agricultores brasileiros estão fazendo lá é gerar desenvolvimento, e a economia do país usufrui disto. Evo Moraes levou seu grupo étnico a grandes esperanças ao ser eleito e visa cumprir seus ideais e suas promessas de campanha. Não é a presença dos brasileiros em seu território o problema e sim a situação de subdesenvolvimento da população (67% de origem indígena), dividida entre uma camada pobre e aguardando compassiva por medidas que a proteja, e outra mais poderosa, com força política (caso de Santa Cruz) que reclama mais autonomia.
Como todos os governos esquerdistas, Evo Morales demonstra não querer latifundios, ignorando que a produção em escala é necessária mesmo em regime socialista, mas tem suas razões ao olhar para os co-irmãos pobres, a quem fez promessas que se converteram em missão para ele.





