Assaltos, tiros, vítimas de bala perdida e mais de 30 homicídios nos primeiros quatro meses do ano. Com o cenário violento em Londrina, a população tem procurado se proteger com recursos próprios, sem depender do poder público. Alarmes, muros altos e cercas elétricas já não são suficientes para inibir a ação dos bandidos. É aí que entram as empresas de segurança privada, que prometem vigilantes capacitados para garantir o bem-estar da população.
De acordo com o Sindicato das Empresas de Vigilância e Segurança de Londrina, a região conta com 27 empresas legalizadas pela Polícia Federal, gerando 1,8 mil postos de trabalho. Paulo de Moraes, membro do sindicato, garante que o setor está em alta e registra saltos de crescimento quando há inauguração de agências bancárias e grandes empresas, ou quando empresas de vigilância se regularizam.
Dados da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) confirmam o crescimento do setor. Só na região sul do país, o faturamento das empresas aumentou 42% em três anos, chegando a R$ 1,6 bilhão em 2005, ano do último levantamento.
''É um reflexo do crescimento da violência. A segurança não vem em primeiro plano na vida das pessoas, porque todo mundo acha que nunca vai acontecer com ele. Só quando sofrem um assalto ou são ameaçadas é que elas tentam se prevenir'', analisa a gerente de marketing da Fiel Segurança, Márcia Barbosa de Oliveira, há 13 anos no mercado londrinense.
Diante do crescimento do setor, a vigilância aparece como oportunidade para quem está fora do mercado de trabalho. O salário da categoria, reajustado em fevereiro deste ano, é de R$ 838, mais benefícios, por 44 horas de trabalho semanais. No entanto, candidatar-se a uma vaga e fazer o curso de vigilante (leia texto nesta página) não é suficiente. Precisa ter o perfil adequado para exercer a função.
''A maioria dos candidatos é aventureira, pensa que a profissão é tranquila. Para eles, basta encostar o pé na parede e torcer para que não aconteça nada'', afirma o diretor da Fiel, Paulo Roberto Yoshimini. A empresa chega a receber até 50 currículos por dia.''De cada cem interessados que nos procuram, dois ou três se encaixam no perfil que a gente quer'', lamenta o diretor.
A saída para quem quer ficar com a vaga é a qualificação. Apesar da lei que regulamenta a profissão de vigilante exigir apenas a conclusão da 4 série do ensino fundamental, as empresas buscam sempre o ''algo mais'', como término do ensino médio, cursos de informática e noções de postura na hora de atender o cliente. ''Teve cliente que já exigiu até vigilante com domínio da língua inglesa'', conta Márcia.
José Roberto dos Santos, supervisor e responsável pela seleção dos vigilantes, afirma que a qualificação dos profissionais e o rigor na escolha reduziu a rotatividade no setor.
''Fazemos várias entrevistas e testes psicológicos antes de contratar um profissional, para saber se a pessoa tem algum desequilíbrio emocional, se fica nervoso muito fácil. Também é muito importante perceber que ele gosta da função'', garante o supervisor, que dá dicas para futuros candidatos a uma vaga de vigilante.
''O ideal é aquela pessoa que fala pouco, guarda sigilo das informações e tem boa postura, mostrando que está sempre atento. O porte físico também ajuda, então tem que estar bem preparado fisicamente. O cliente exige alguém mais forte. É uma imagem que passa segurança'', afirma José Roberto.
Alberto Carlos Honorato é vigilante há 13 anos e desmistifica a idéia de que a profissão de vigilante seja perigosa. Para ele, não é um trabalho arriscado, desde que o profissional esteja sempre atento.
''Precisa de atenção constante, porque a gente lida com prevenção, sempre de olho em situações irregulares. Tem que antecipar o que o bandido está pensando. Ele sempre age com o efeito surpresa, nunca espera ser supreendido. É aí que a gente age'', conta o vigilante, lembrando que em apenas 10% dos casos é preciso usar arma ou força física.

mockup