Inovação tecnológica de Maringá para o mundo
A repercussão das pesquisas de Almodin tem ganho proporções mundiais. No início desse mês ele foi convidado para palestrar em Nanjing, na China, e um grupo de pesquisadores indianos enviou a solicitação para acompanhar os estudos que ele realiza. Essa evidência no cenário científico internacinal se iniciou com a divulgação de um aparelho criado pelo médico, que possibilita a realização de cirurgia em bebês ainda sendo gestados.
Sua equipe realiza dois tipos de estudos, a pesquisa clínica, em Maringá, e a acadêmica, que é realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O que comumente acontece é o Brasil ir para fora aprender. As pessoas de outros países virem estudar aqui é muito raro. Em nossa área não há nenhum outro caso semelhante.
Com a prática da cirurgia intra-ulterina, vários defeitos anatômicos podem ser corrigidos hoje, à partir da técnica desenvolvida pelo médico. A primeira tentativa foi feita com um endoscópio. Usei um aparelho que foi fabricado para nós, na época, com apenas um milímetro. O bebê tinha uma válvula de uretra superior, ou seja, era entupida. Nós entramos no útero, dentro da bexiga do bebê, e abrimos a uretra. Conseguimos salvar a vida do bebê, que certamente morreria., conta. O sucesso do tratamento foi comentado em vários países.
Em seguida a equipe do médico realizou, pela primeira vez no Brasil, a cirurgia fetal com o útero a céu aberto, ou seja, ele externou o útero para operar a criança. Era uma má formação mais grave. O processo foi mais delicado. Tivemos que expor o útero da mãe, drenar o líquido amniótico, expor o bebê, operar sua coluna, devolver tudo e conseguir mantê-lo bem até o parto.
O problema do bebê era uma má formação na coluna vertebral. Ele nasceria com paralisia dos membros inferiores. A cirurgia durou uma hora e vinte minutos. Uma equipe de 12 pessoas trabalhou no ato. Foram 90 dias de treinando.
Oito semanas depois da cirurgia nasceu a menina Raquel. O médico acompanhou o parto e revela que foi uma das maiores emoções que teve na vida, quando viu que suas perninhas mexiam. Essa era nossa loucura, ver o sucesso do procedimento, saber que a menina andaria, comenta.
Logo em seguida o médico desenvolveu uma técnica para transplante de ovários, que é utilizada no mundo todo. O procedimento foi batizado de Técnica de Almodin. Fizemos primeiramente em coelhos e ovelhas. Depois foi realizado em mulheres e houve grande sucesso. (B.M.)





