Reduzido custo
durante a existência
da incubadora originou
retornos excelentes
para Londrina




Os discursos sobre inovação geralmente enfocam a importância nacional do tema. Dão muita ênfase ao que o Brasil pode ganhar quando as empresas inovam e ganham competitividade.
Embora isso seja estritamente correto, tem ficado fora do debate o papel da inovação no desenvolvimento local e regional. Até parece que o óbvio acaba sendo esquecido, já que, de fato, as coisas sempre acontecem no nível local, pois tanto o Estado como o País são apenas abstrações institucionais.
É por isso que merece um destaque especial a concessão, à Ângelus, do Prêmio Finep de Inovação 2009, na categoria pequena empresa. É provável que apenas um número reduzido de londrinenses conheça ou já tenha ouvido falar dessa empresa. Ela atua em um setor muito específico (materiais odontológicos) e seus produtos não são vendidos diretamente ao público consumidor.
No entanto, a Ângelus contribui em muito para o desenvolvimento de Londrina, não só por meio da oferta de empregos e criação de riquezas, mas também na disseminação da cultura de empreendedorismo e inovação. Na medida em que ela ''contagie'' outros empresários com o ''vírus da inovação'', Londrina será altamente beneficiada.
A Ângelus, em articulação com a Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e região (Adetec), promove mensalmente reuniões com um grupo de empresários interessados em inovar, organizados no Núcleo de Empreendedorismo e Inovação da Adetec (NEIA). São discutidos não só aspectos conceituais, mas também tópicos de interesse imediato como, por exemplo, a elaboração de projetos para captação de recursos para inovação.
Ao lado desse ''efeito-demonstração'' da Ângelus, colaborando na construção de uma cultura empreendedora e inovadora, sobressai também a fixação da imagem de Londrina no contexto nacional como cidade com características de atratividade para empresários inovadores.
Mas, como começou todo esse processo? Qual a trajetória percorrida pela Ângelus até obter esse reconhecimento nacional e dar a Londrina esse ótimo presente na data em que a cidade comemorou seus 75 anos?
Resumidamente, tudo se iniciou na década de 90, quando o cirurgião dentista Roberto Alcântara desenvolveu uma inovação específica para seu trabalho, aperfeiçoou e ampliou a produção dessa nova tecnologia e transformou sua ideia em um negócio.
Um passo muito importante nesse processo foi ter contado com o apoio da Incubadora Industrial de Londrina (Incil), gerenciada nessa época pela Adetec. Infelizmente, esse instrumento de apoio à inovação e ao empreendedorismo teve vida curta, embora deixando ótimos frutos, como a Ângelus e diversas outras empresas londrinenses.
Finalizando, há que se comentar esse fato. Um instrumento de política pública de apoio ao empreendedorismo e à inovação como a Incil obviamente tinha um custo para o orçamento municipal.
Entretanto, o reduzido custo incorrido durante os três ou quatro anos de existência da incubadora originou retornos excelentes para Londrina, na forma de geração de renda, oferta de empregos qualificados, arrecadação de impostos, imagem institucional, etc., demonstrando que o investimento público em inovação e empreendedorismo, aplicado de forma profissional em estruturas bem gerenciadas é um alto negócio para uma cidade como Londrina.
PAULO VARELA SENDIN é engenheiro agrônomo e consultor da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e região

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