Injustiças e política
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de novembro de 2001
Denise Rothenburg 
Segurei a caneta na semana passada para não falar no caso Galdino, o índio assassinado na W3 Sul (em Brasília). Mas o mundo e o Brasil estão assustadores! Queimar um ser humano virou ''brincadeira''. Avião virou bomba! As pessoas são demitidas de seus empregos aos borbotões sem a menor perspectiva de recolocação rápida no mercado de trabalho. É isso que queremos para os nossos filhos?
Uma gama de fatos injustos e cruéis toma conta do Brasil e do mundo. E os sequestros relâmpagos? A cada dia é mais um caso! E o pior é que tá assim ó de candidatos a presidente e a governador desfilando por aí sem o menor pudor e sem apresentar uma proposta consistente para mudar esse quadro aterrorizante. As autoridades jogam o problema umas para as outras e ninguém faz nada. Pelo amor de Deus!
Falando em candidatos, vem mais um aí com carteirinha oficial. O ministro da Saúde, José Serra. Ahá! Todo mundo achava que ele já era candidato? Ele mesmo ainda não disse isso abertamente. Serra chegou do Qatar com uma bagagem de vitórias junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Pode ser a última, se vingar a pressão para que ele deixe o cargo em dezembro e ponha seu bloco na rua, como todos os demais presidenciáveis.
Políticos simpáticos à candidatura do ministro avaliam que está todo mundo em busca de voto e, se Serra não entrar em campo, perde o ''bonde''. Há quatro governadores em campanha aberta: o do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), o do Rio, Anthony Garotinho (PSB), a do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), o de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). Além deles, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS) percorrem o país em busca de votos.
A torcida serrista tem fortes argumentos para que ele volte ao Senado. Diz que o governo é uma faca de dois gumes, que o ministério traz riscos equivalentes aos ganhos, ou seja, soma zero. Não soa bem, por exemplo, o ministro aparecer no jornal liberando milhões para seduzir o PSDB. Afirmam que não cai bem um ministro com bom desempenho acabar culpado por filas em hospitais públicos. A vitória na OMC vira fichinha perto da desgraça nacional.
Além disso, como senador, Serra estará livre para criticar o que considera equivocado na política econômica, poderá falar sobre todos os assuntos de um país injusto sob muitos aspectos. E injustiça, por mais que o presidente Fernando Henrique Cardoso se esforce em combatê-la, é o que não falta!
- DENISE ROTHENBURG é jornalista em Brasília
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