Inimigos domésticos
Em meio à semana agitada que se prenuncia no Congresso - há o lobby ruralista contra o novo ITR, que pune a especulação fundiária; a disputa pelo cargo de relator da nova lei de telecomunicações; reunião do PMDB para definir seu candidato à presidência da Câmara -, o governo começa a avaliar o tamanho dos adversários da reeleição que integram sua base política.
Maluf não é o único, embora seja, de longe, o mais preocupante. Há ainda o ex-presidente Itamar Franco (sem partido), o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O sufoco é exatamente este: como pertencem a partidos que apóiam o governo, podem abrir dissidências dramáticas no momento em que o governo precisa contar com cada um dos votos de seus aliados.
Quantos votos cada um desses personagens possui no Congresso? Que penetração têm na mídia? Qual o grau de intransigência de cada um? O ex-presidente Itamar Franco não preocupa tanto. Segundo avaliação do presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães, Itamar tem exatamente zero voto no Congresso. Não influi, nem contribui para a aprovação da emenda. Pode, no entanto, fazer barulho na mídia, onde sua condição de ex-presidente garante algum tipo de penetração.
Não muita, porém. A orientação, no caso de Itamar, estendida também a Ciro Gomes, é simples: não aceitar provocação. Tudo o que Itamar mais deseja é ser demitido por Fernando Henrique. E, até aqui, Fernando Henrique tem dito que não pensa nem de longe em atender a esse desejo. Já Ciro Gomes, que também não possui votos no Congresso, faz parte do próprio partido do presidente. Mas, neste momento, cultiva alianças à esquerda - com o PT, mais precisamente.
Ele se empenha na articulação de uma frente suprapartidária anti-reeleição, hipótese complicada, já que terá que aglutinar personagens e ambições inconciliáveis. Imagine-se um palanque que reúna Ciro Gomes, José Sarney, Lula, Brizola, Itamar e Sarney. Só na Marques de Sapucaí - e olhe lá.
Sarney e Maluf têm algo em comum: votos no Congresso. Quantos, não se sabe ao certo. O senador Edison Lobão (PFL-MA) diz que a bancada de Sarney, na Câmara e no Senado, possui, por baixo, 70 votos. O número é respeitável e, se confirmado, torna o ex-presidente um nome de peso no processo da reeleição. Sarney não é contra a idéia, apenas não a favorecerá por conta dos belos olhos de Fernando Henrique. Quer ganhos políticos.
Já Maluf é um enigma. Seu partido, o PPB, possui 95 votos no Congresso, mas não se sabe quantos lhe são fiéis. O ministro Francisco Dornelles, seu correligionário, diz que são poucos. A maioria estaria do lado do governo. Maluf não nega, nem confirma. Apenas anuncia que está se estabelecendo em Brasília, para melhor exercer seu lobby pessoal sobre o Congresso. A batalha está apenas começando.





