A retirada, pelo então vereador Henrique Barros, da acusação que fizera a quatro de seus ex-companheiros na Câmara de Londrina, tem pouca relevância e poderá piorar ainda mais a sua situação, sem beneficiar os acusados. A atitude de Barros foi formalizada ontem à tarde por via de uma carta entregue à Câmara. Ele é réu no processo, foi preso em flagrante, depôs perante os promotores de Justiça e dos investigadores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, depois viria a renunciar ao cargo (provalvelmente para livrar-se de um eventual processo de cassação), e para o MP essa carta não altera o andamento do processo.
  O efeito da denúncia de Barros já foi produzido, podendo ocorrer de os denunciados ingressarem com ação contra ele por denunciação caluniosa. É mais inconveniente para ele uma possível ação destas do que aquela que o condenou por concussão. Esse novo ingrediente adicionado ao processo não muda as coisas mas dá munição para muitas especulações, como a de imaginar-se o porque dessa sua atitude. É um despropósito ele declarar, como está contido na carta, que as acusações que fez foram-lhe arrancadas.
  Por outro lado, causou estranheza a decisão da Comissão de Ética da Câmara em dar por encerrada, no ambiente da Casa, a investigação de três dos cinco vereadores denunciados, e decidir pelo arquivamento da representação contra eles. O argumento é que ‘‘não há quaisquer indícios que justifiquem a continuidade de uma investigação’’. Mas um indício é justamente o depoimento de Barros ao MP e aos investigadores. Outro disparate da Comissão de Ética foi argumentar que só recomendou a cassação de Orlando Bonilha porque as acusações contra ele são ‘‘muito incisivas’’ e que ele está envolvido ‘‘em todas as situações’’, deixando supor que os outros (Renato Araújo, Flávio Vedoato e Osvaldo Bergamin) não estão em todas e então não precisaria mais eles serem investigados. O requisito, por esse entender, é que são necessárias muitas situações e não apenas uma. É isso mesmo?
  Ontem a Justiça acatou a denúncia contra os quatro vereadores e o caso agora ganha novo ritmo. A Câmara inicia o processo de cassação de Bonilha, e ele, no paredão, não quererá ir sózinho para o sacrifício.

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