Inglês para inglês ver
Há mais de uma década professores de língua inglesa de universidades paranaenses vêm realizando um trabalho de formação continuada de professores, em perspectiva que enfatiza reflexão sobre a ação e procura assessorar o desenvolvimento do conhecimento prático pessoal do professor. São iniciativas envolvendo criação e manutenção de centros de recursos, visitas às escolas e auxílio na preparação e escolha de material didático, em cursos de proficiência linguística e realização de eventos, em parceria com a Associação de Professores de Língua Inglesa do Estado do Paraná (Apliepar). Através de projetos de extensão, intitulados NAPs (Núcleo de Assessoria Pedagógica), vêm as universidades procurando contribuir para a melhoria do ensino de inglês no Estado.
No entanto, esta é uma tarefa que não pode prescindir do apoio da Secretaria de Educação do Estado, em virtude da necessidade de liberação dos docentes da rede estadual para receber a assessoria ou ter oportunidades de desenvolvimento profissional pagas pela Seed, sem falar na infra-estrutura necessária nas escolas para um trabalho de qualidade no ensino de línguas estrangeiras.
Na gestão anterior à atual, um modelo de formação centralizada no Centro de Capacitação do Professor em Faxinal do Céu propiciou poucas oportunidades de desenvolvimento do professor de inglês, ficando todas as iniciativas por conta dos próprios profissionais que pagam, por exemplo, por cursos de especialização, realizados em fins de semana ou por uma atuação dos projetos de extensão universitária conforme mencionado.
A atual gestão na Seed procurou, em 2000, imprimir uma nova dinâmica, contratando o Conselho Britânico para assessorá-la em programa de capacitação voltado para aperfeiçoamento linguístico do professor de inglês, sob a lógica colonialista que quem entende de ensino de inglês é inglês.
Assim, o programa determinou que, tendo em vista o baixo grau de proficiência do professor, a ênfase seria dada ao desenvolvimento da proficiência, porém se reconhecendo a necessidade de melhoria também no aspecto metodológico. No entanto, apesar da existência de uma infra-estrutura de universidades em todo o Estado, optou-se por pilotar um curso de capacitação a distância, para 400 professores, voltado para aperfeiçoamento metodológico e linguístico, utilizando-se de materiais produzidos pela Open University.
Nas palavras da secretária estadual da Educação, universidade de renome internacional. Aliás, renome internacional parece ser o único fator que importa no programa proposto. Professores nas universidades paranaenses foram contratados para ministrar a parte presencial dos referidos cursos e ministrar cursos de proficiência para os que não tinham ainda condições de acompanhar o material do curso a distância, atendendo a cerca de 600 professores em todo o Estado. Desnecessário salientar o deslocamento do papel das universidades que se tornaram fornecedoras de serviços para o Conselho Britânico.
Após o primeiro ano de implantação do programa se faz necessário avaliar resultados antes de se decidir pela reedição das atividades. As universidades precisam se posicionar a respeito das propostas, papel que cabe a um conselho consultivo instituído pela Seed com representação da própria secretaria, dos projetos NAP e Apliepar. Espera-se que este conselho possa justificar agora e no futuro os investimentos feitos e seu potencial para uma efetiva melhoria do ensino no Estado.
Afinal, competência linguística não é o único fator para um ensino de língua estrangeira de qualidade. Talvez nem seja o preponderante. E cursos de duração média têm pouco efeito após alguns meses. Não são vacina. Um professor de inglês precisa ter oportunidades constantes para seu aperfeiçoamento. Investir na infra-estrutura das universidades e das escolas (como aconteceu no Estado de São Paulo) talvez tenha mais potencial para provocar mudanças do que soluções visando estatísticas e resultados rápidos para o Banco Mundial.
- TELMA GIMENEZ é professora universitária em Londrina





